Foi bastante interessante saber que vivemos em uma comunidade que se reconhece em suas origens. A cachaça rendeu tanto assunto, que resolvi mandar mais uma dose.
Como a cachaça é a bebida nacional, a caipirinha é o principal ingrediente para acompanhar nossos pratos mais típicos: O CHURRASCO E A FEIJOADA (dos quais falaremos oportunamente).
Ninguém sabe ao certo onde se originou a CAIPIRINHA. Alguns dizem que foi a adaptação do mais famoso remédio para gripe feito no interior: cachaça, limão e mel - daí o nome "remédio do caipira" e enfim "caipirinha".
Jô Soares, em seu livro O XANGÔ DE BAKER STREET, atribuiu ao inglês Mr. Watson, fiel secretário de Sherlok Holmes a invenção.O Dicionário de Vocábulos Brasileiros de 1889, atesta que a expressão "caipira", foi um termo paulista cunhado para denominar o ’’homem do campo" e que este originou-se do Tupi "caipora" ou "curupira". "Caipora", em uma tradução literal do Tupi, significa "morador do mato". E "Curupira" é um ente fantástico que vagueia pelo mato. É possível que alguém tenha abusado da bebida e valorizado o imaginário quando viu "curupirinhas" à sua volta e, a partir daí... No século XX o Brasil e o mundo viviam a agitação cultural dos anos 20. Por se considerar inferior nesse aspecto, o país tentava encontrar um caminho próprio. Foi quando surgiu o Modernismo Brasileiro, que se voltou contra as amarras colonizadoras impostas pela cultura européia. Os setores da poesia, literatura e pintura foram os que ganharam significativo impulso e acabaram por seguir um novo caminho. A partir desse movimento cujo símbolo era o colonialismo antropofágico, que determinava absorver tudo o que viesse de fora, da mesma forma como fizeram os nossos índios com a cultura e os costumes dos europeus. No momento em que o modernismo valorizava a cultura nacional e a brasilidade, a cachaça entrou para participar do cenário das elites tupiniquins. Tarsila do Amaral, uma das maiores pintoras modernistas do Brasil e, seu marido, o escritor Oswald de Andrade, passaram a organizar feijoadas em Paris, que ficaram famosas. O feijão era fácil de arrumar, mas a pinga para a caipirinha vinha do Brasil e passava pela alfândega francesa rotulada como "produto de beleza" - o que não deixa de honrar as origens do nome "Al Kuhul". A caipirinha é hoje um drinque nacional reconhecido internacionalmente Está incorporado ao nosso rico folclore de mesas e balcões. O "The Dictionary of Drink" da Tiger Books dá a receita da caipirinha como é conhecida no mundo: Uma dose de cachaça, um limão e açúcar à gosto. Corta-se o limão em pequenos pedaços, coloca-se o açúcar e se amassa. Serve-se em um copo padrão, enche-se de gelo e finalmente adiciona-se a cachaça. Deve ser servido com uma colher. Esta receita é a nossa legítima caipirinha com a pequena diferença: no Brasil, usa-se, ao invés da colher um palito de madeira, e uma grande dose de amizade. Pelo DECRETO Nº 4.851, DE 2 DE OUTUBRO DE 2003, do governo Lula, "Art. 81 § 4o Caipirinha é a bebida típica brasileira, com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida exclusivamente com Cachaça, acrescida de limão e açúcar. § 5o O limão de que trata o § 4o deste artigo, poderá ser adicionado na forma desidratada."
Aqui estarão os artigos publicados no Jornal Bom Dia, além de reflexões entre umas e outras. Pensamentos baratos de uma vida rica.

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