10.4.06

NO VERÃO O FRIO É BEM-VINDO

O que mais a gente tem escutado por aqui é sobre esse calor infernal. Coitados dos resistentes gerentes de banco que insistem em usar terno e gravata. O imperialismo europeu continua reinando por aqui.
O cara que se diz presidente bem que podia baixar um decreto instituindo a abolição da gravata e a obrigatoriedade de ar-condiconado em locais públicos. Proíbe-se cigarro, mas o calor é permitido.

Se bem que sempre existe a polêmica do ar-condicionado. Porque os friorentos e apreciadores do suor saem de suas tocas para levantar bandeiras contra qualquer brisa de conforto que possa soprar sobre seus corpinhos desvitaminados. Depois de percorrer os mais diferentes climas e concluir que o sistema que condiciona o ar é a grande conquista da humanidade, constato que noventa por cento dos sorocabanos fazem a apologia do suor e odeiam essa grande conquista humana.

Enumerem, por exemplo, o número de restaurantes com ar condicionado na cidade. Falo daqueles que têm aparelhos que funcionam. Porque a pentelhice geral predomina e o ar-condicionado é uma tecnologia excluída da cultural local.

Aliás, o frio é civilizador, já dizia um grande filósofo amigo meu. Vejam se os países mais frios são subdesenvolvidos. Preferências à parte, quem quer calor é quem não precisa trabalhar (por férias merecidas ou por vagabundagem mesmo).

Ar-condicionado salva casamento em noites grudentas, salva as relações sociais porque conserva melhor o humor, salva a disposição de trabalho e salva o indivíduo na sua relação com a vida. Porque trabalhar melecado de suor não dá nem prazer e nem resulta em produtividade.

Que me invadam os ácaros suspensos no ar, mas se tiver que escolher entre a melosidade de quarenta graus e a plenitude de dezesseis, fico com a gratificação desta última.

Os donos de restaurantes, com todo o sacrifício econômico que implica manter clima bom em seus estabelecimentos, devem levar em consideração que a temperatura lá dentro faz parte da filosofia do negócio. O clima bom favorece o apetite, a escolha de vinhos (estes
menos lembrados no calor) e deixa um residual de retorno. Porque a gente gosta de voltar aos lugares onde nos sentimos bem. Ar-condicionado não é despesa, é investimento. E não venham me dizer que estou fazendo comercial para as empresas sorocabanas do setor, pois não atendo nenhuma delas.

Para aqueles, mais afetados pelo ar-condicionado - por problemas de alergia e doenças do aparelho respiratório - só posso argumentar com a lógica e incorporar nisso todo o meu respeito. São a exceção e devem ser respeitados de forma particular. Um exemplo: desliga-se o ar de um shopping porque pode afetar algumas pessoas, em detrimento da maior parcela que merece desfrutar esse conforto? Mais simples será, para as pessoas afetadas, reduzirem suas idas ao shopping. Num escritório onde trabalham 40 pessoas e duas sentem muito frio quando o ar é ligado, apesar do intenso calor. Oue passem a trazer agasalhos de casa ou mudem de emprego - vão trabalhar como pizzaiolos na boca do forno. (com todo respeito a esses profisssionais que não têm escolha)

É nesse momento que me ocorre uma pergunta frequente feita por algumas pessoas: por que não dão certo novos resturantes em Sorocaba?

Faça uma pesquisa e constate: ninguém se aprimora em qualidade de serviços, e isso inclue AMBIENTE e CLIMA. Os bravos sobreviventes nos mantêm aquecidos no inverno e confortavelmente sem a temperatura infernal do verão.
Desculpe-me apenas o Osmar, mas só volto no “costela” no fim de Abril.

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