10.4.06

carta de um amigo que foi ver Cuba lançar...


Cuba fica aqui do lado e, lendo Pedro Juan Gutierrez, achei que fosse mais barata do que o nordeste. Convenci a mulher e um casal de amigos a irmos para a passagem de ano. O pacote (parte aérea + hotel = cerca de US$ 1.200 por cabeça, ficando num hotel de boa qualidade, 15 minutos distante de Habana Vieja) não chegou a pesar, até porque estava no orçamento. Mas descobri que a vida lá não é tão barata assim. Embora o dólar valha 20 pesos cubanos, nós, os turistas, usamos pesos convertibles, cada um a US$ 1,25.

Saímos de Guarulhos, paramos no Panamá e cerca de 12 horas depois pousávamos no Jose Martí em Havana. Como estávamos com uma fome ancestral, fomos levados pelo taxista a um “paladar”. Paladares são restaurantes, agora legalizados pelo Governo, na casa das pessoas. Têm esse nome em homenagem à rede de restaurantes de Regina Duarte em Rainha da Sucata. Aliás, frase curiosa ouvida de um cubano: “pode-nos faltar comida, mas novela brasileira jamais!” Cardápio: saladinha de repolho cru, cortado fininho, tomates, pepinos; arroz misturado com feijão preto sem caroço (com gosto diferente do nosso), camarões e lagosta na chapa. Prato que meio típico da cozinha crioula, foi o que mais se repetiu por lá. Bom o sabor, principalmente dos frutos do mar. Preço básico: 15 pesos, prato individual.

Nosotros fomos a Havana para conhecer mesmo as pessoas. Ver como vivem debaixo de um regime diferente, na última década sem o auxílio de Moscou, e com o vergonhoso bloqueio econômico imposto pelos estodosunidenses.

Andamos pra caramba na cidade, na parte histórica, nos bairros, até em casa de mãe de santo estivemos – e, creia, o nome dos orishas é o mesmo. À praia fomos apenas a Santa Maria, ao leste de Havana, 20 minutos de carro e a Varadero, o mais barato passeio da viagem. O ônibus (da brasileira Marcopolo) de transfer nos pegou no hotel às sete e meia, viajamos quase duas horas, passamos o dia inteiro em um hotel de luxo tipo Club Med com comida e bebida liberada, esportes náuticos e o escambau. Sendo devolvidos no hotel por volta das oito da noite. Preço: 50 CUCs (pesos convertibles) por cabeça. No Brasil não se faz isso, com esse dinheiro.

Recomendo, aos beduínos, a rota de Hemingway: La Bodeguita del Medio para um “mojito” ”– rum branco, suco de limão, hierba buena (hortelã), gaseosa e açúcar – e El Floridita para o um daiquiri ao lado de sua estátua. Almoçar no hotel da cobertura do Hotel Ambos Mundos, onde o escritor se hospedava também é uma boa.

Charutos te oferecem na rua de montes. Até achei estranho, quase assustador, a primeira vez: um negão, desses de 2 x 2, com as duas palmas da mão abertas, uma virada para a outra, olhando para mim e me oferecendo um negócio de mais ou menos 20cm. Passado o susto descobri que seriam “puros habanos”. Aliás, desenvolvi uma teoria sobre esse mercado paralelo. Claro que te vendem charutos falsos nas ruas, mas te vendem charutos bons também. Alguns que não passaram na criteriosa seleção de qualidade das fábricas, alguns que devem ter sido roubados... Mas acredito, de verdade, que muitos deles são os tomados pela alfândega e devolvidos ao mercado.

Explico. O turista tem direito de sair de Cuba com 23 habanos. O 24º precisa ter nota carimbada pelo governo. Como li isso na chegada, dei preferência a comprar todos meus charutos na Casa del Habano. Paguei mais caro. Mas veja só: quando entrávamos atrasadíssimos no avião, o alto-falante nos chama à aduana. Lá nos esperavam para abrir nossas malas. Abertas, tudo com nota, carimbado, devidamente protocolado et cetera e tal. Viajamos sem perder nada, além de tempo. Mas na mesma sala, vi no mínimo uns 5 gringos perdendo caixas e caixas de charutos comprados no “paralelo”. Es la Ley, diziam os guardas.

Achei a famosa Tropicana um saco. Um show do Sargentelli muuuuuuuuuuuuito piorado. Dizem que a maioria dos dançarinos e cantores quedou-se no exterior durantes as turnês. Talvez seja essa a causa.

Agora a música, mesmo das ruas, é tudo de bom. Ouvi dizer, que muitos dos navios negreiros vindos da África separavam os casais, deixando a mulher lá e trazendo o marido, ou vice-versa. Está explicado porque achei os cubanos tão semelhantes aos cariocas. Só que melhor preparados, musicalmente falando. Imagina você na praia e um grupo tocando com dois violões (um de 6 cordas e 3 afinações), maracás, bongôs e até baixo acústico. Aqui no Rio, o mais que se vê é tamborim, atabaque, cavaquinho e, no máximo, um banjo – que, aliás, não gosto no samba.

Um abraço do

Vespa

O prazer começa com fogo


Em todas as coisas boas, existe um ritual. Para apreciar um bom vinho, ou degustar um prato especial ou até mesmo...
Com o charuto não poderia ser diferente: o prazer começa com o Fogo.
Mas como todo ritual, e necessário um preparo. No ritual dos charutos é o corte que antecede o seu acender e você pode estar certo de que isso poderá comprometer o prazer ao degustá-lo. Se o corte não for feito corretamente, você poderá ter o desprazer de ter uma fumaça quente, áspera, sem dizer dos pedaços de tabaco que poderão soltar-se em seus dentes, e essa imagem não combina com um gentleman. O corte deve obedecer a uma regra: expor o miolo do charuto deixando sua capa num tamanho suficiente para manter seu invólucro em torno dele (não foi fácil escrever esse parágrafo).Não é tão fácil, pois o corte deve ter aproximadamente 1,5mm.
Existem várias técnicas e instrumentos para cortar-se o charuto, algumas dessas peças são verdadeiras jóias. As mais comuns são as guilhotinas, simples ou duplas, depois as tesouras, a cunha, o olho-de-boi, o furador, a faca, ou até mesmo a própria unha, como fazem os moradores da ilha Del comandante, o que requer maior habilidade. Mas de qualquer forma o apreciador deverá encontrar o método que melhor adapte-se a seu manejo.
Charuto bem cortado, vamos ao que interessa. A discussão de como melhor acender o charuto é grande, podendo variar bastante. Porém, algumas regras são invioláveis. Em primeiro lugar, jogue fora aquele Zipo que você ganhou no último natal, isqueiros a fluídos são proibidos, pois o sabor do tabaco pode alterar, o melhor companheiro ainda é o bom fósforo. Mas atenção,deixe que queime toda a “cabeça” antes da chama chegar ao charuto. Mas se você adora isqueiros, existem vários modelos a gás que poderão assegurar um bom acendimento. Para acender um bom “puro”, deverá existir um isqueiro à altura.
Acender bem o seu charuto, significa assegurar uma fumaça fresca com uma queima regular e uniforme. Assim, jamais deixe a chama tocar no charuto. Ao acendê-lo, segure-o num ângulo de 45º acima da chama a uma distância em que chama dance em direção da extremidade, mas sem tocá-la diretamente. Nesse momento, o charuto deve ser girado entre seus dedos para que ele acenda uniformemente.
Quando a volta toda tiver iniciado a queima, sopre vagarosamente a fumaça, pois a primeira baforada é indesejada. No início da queima, continue girando o charuto, para assegurar a uniformidade e evitar o afunilamento.

Pronto, bem vindo ao prazer!
Etiqueta
Para degustar um charuto é importante observar se o local é adequado, o tempo disponível e a intensidade de sabor. Siga as orientações de como cortar e acender. Para apagar deixe-o repousando, ele apagará sozinho em não mais que dez minutos, não se apaga o charuto como um cigarro, além de se deselegante ele exala um cheiro muito desagradável.
Tamanhos e formatos
Os charutos se classificam pelo comprimento e diâmetro, mas são variados de acordo com o fabricante, porém estão estabelecidos alguns padrões:
Corona - 14,2 cm de comprimento e 1,86 de diâmetro - queima média 45 minutos.Petit Corona - 12,9 cm de comprimento e 1,66 de diâmetro - queima média 35 minutos.Churchill - 17,8 cm de comprimento e 1,90 cm de diâmetro - queima média 1 hora e 20 minutos.Robusto - 12,7 cm comprimento e 1,90cm de diâmetro - queima média 35 minutos.Corona Gorda - 14,3 cm comprimento e 1,66 de diâmetro - queima média 40 minutos.Double Corona - 19,4 cm de comprimento e 1,94 cm de diâmetro - queima média 1 hora e 45 minutos.Panatela - entre 12 e 19,2 cm de comprimento e 1,50 cm de diâmetro - queima média 1 hora e 10 minutos.Lonsdale - 16,5 cm de comprimento e 1,66 cm de diâmetro - queima média 1 hora.Belicoso e Torpedo - 15,6 cm de comprimento e 2,06 de diâmetro - queima média de 50 minutos.Diademas - o maior tamanho que existe, 22 cm ou mais de comprimento.

FUMAÇA PURA 2

A história do charuto inicia-se com a descoberta da planta do tabaco, que é originária da América Sul, não adianta a gente tenta fugir dos vícios, mas eles fazem parte de nossa história.
Apesar de ser impossível indicar exatamente quando foi trazida para a maior ilha das Antilhas, alguns historiadores chegam a afirmar que foi em torno de 2000 A.C. , onde os índios fumavam folhas de tabaco entrelaçadas, que davam o nome de Cohiba.
Esse ritual era considerado miraculoso e um elemento essencial em suas cerimônias religiosas, políticas e sociais.

Muito tempo depois, quando Colombo chegou a ilha membros da esquadrilha descobriram este costume milenar e experimentaram o tabaco, sendo então os primeiros europeus a fumarem charuto.

Não demorou muito tempo para que a Europa desenvolvesse uma verdadeira paixão por ela. Como era de se esperar, a Espanha teve a maioria de fumadores sujeitos às terríveis punições impostas pelo ato de fumar.

Rodrigo de Jerez, um dos homens de Colombo, resolveu levar folhas de tabaco para a Espanha, quando soltando fumaça pela boca em exibição para os amigos, foi mal interpretado sendo acusado de estar possuído pelo demônio, foi preso pelo Tribunal da Inquisição. Enquanto ele tocava fogo em seu puro, a igreja tocava fogo nele.

Mesmo assim, hábito se espalhou para a Pérsia, Japão, Turquia e Rússia, onde as mais cruéis punições foram estabelecidas. Curiosamente, como proibições de fumar ganharam terreno, o tabaco foi usado cada vez mais para finalidades medicinais, e por incrível que pareça, foi um dos principais remédios contra males do pulmão.
Em 1717, o rei Philip V estabeleceu um monopólio real sobre o cultivo do tabaco em Cuba, conhecida como o "Estanco del Tabaco". Os plantadores de tabaco que se opuseram a lei, tiveram suas cabeça cortadas. O monopólio vigorou por 100 anos, quando um decreto real encerrou-o, permitindo o comércio livre entre Cuba e o resto do mundo, mas com uma condição: que fosse comercializado somente por meio dos portos espanhóis.
O século XIX forneceu a reafirmação final da produção do tabaco de Cuba, onde haviam quase 10.000 plantações do tabaco e cerca de 1300 fábricas de charutos em Havana.
Desde então Cuba se afirmou como o melhor produtor de tabaco do mundo, sai crise e entra crise e a produção continua, sempre com o amparo de El comandante Fidel (que já não fuma mais). As sementes são entregues ao Governo que controlam e redistribuem, visando preservar a exclusividade de cada tipo de tabaco. Por isso é usado o termo Havana como sinônimo de charutos da mais alta qualidade.

OUTROS PAISES PRODUTORES
O Brasil produz charutos puros, como em Cuba, todos feitos a mão. Nossa principal região produtora é a Bahia (Cruz das Almas, onde ficam as fábricas Alonso Menezes & Amerino e a Le Cigar, que atendem o mercado interno e exportam para os Estados Unidos e Europa. Os charutos brasucas tem o sabor encorpado e a cor escura.
República Dominicana é o maior produtor de charutos manufaturados do mundo. Produz charutos bastante encorpados, mas não tão fortes e complexos quanto o cubano.
Honduras conhecido como produtor de fumo de alta qualidade e de excelentes capas. Suas sementes são originárias de Cuba e do rio Connecticut, nos EUA.

FUMAÇA PURA


Um dos melhores convites que alguém pode me fazer é: VAMOS FUMAR UM HAVANA?, para que não exista nenhuma dúvida - Sim, os melhores charutos do mundo são os cubanos.
Degustar um charuto requer um pouco de conhecimento, prática e charme, não podemos menosprezar este momento intrínseco de nossas vidas apenas fazendo fumaça. Alguns requintes são essenciais para que o ritual de degustação tenha sua verdadeira importância.
Convido a quem queira me acompanhar, a entender um pouco desse universo. Perdoem-me quem não se interesse pelo assunto mas esse artigo é apenas o primeiro de uma série.

Não é possível falar sobre boa vida sem falar sobre charutos.
A relação do charuto com sofisticação, comemoração e alegria é fácil de ser notada. Desde a figura de Groucho Marx aos desenhos do pica-pau, lá esta o charuto, presente entre personalidades e histórias fantásticas, como a do Presidente Clinton com o seu desfrute nas horas mais intimas.

A história recente do charuto confunde-se com a do cinema, bem retratado no livro “Fumaça Pura” do grande escritor cubano Guilherme Cabrera Infante, que fala sobre os personagens, diretores e atores com seus puros, além da história do tabaco na ilha do comandante Fidel.
O charuto tem uma legião extensa de fãs, como atores estrangeiros Jack Nicholson, Tom Seleeck, Bem Gazzara, Bill Crosby, Raul Julia,Arnold Schawarzegger, as atrizes Demmi Moore, Whoopi Goldberg, a modelo Linda Evangelista, estão também na lista de grandes apreciadores o ator Antonio Fagundes e o apresentador Jô Soares.
O charuto sempre esteve associado ao poder e a riqueza. Dentre os famosos "embaixadores" desta nobre arte estão Wiston Churchill, JF Kennedy, Alfred Hitchcock, Sigmund Freud. Charutos são degustados em diversas ocasiões, almoços e jantares de negócios, mas principalmente entre amigos. A ocasião mais especial e tradicional é no nascimento de um filho, são distribuídos charutos geralmente de marcas conhecidas e mais conservadoras como Montecristo e H. Upmann. Batizados e Casamentos também são ocasiões que celebram este sofisticado costume. Sempre acompanhado por um bom café ou Bebidas como: cognac, armagnac, grappa, whisky, vinho do porto, tequila e especialmente o rum que é apropriado para limpar o pálato bucal, permitindo a degustação de outro charuto sem atrapalhar o sabor caso seja diferente.
Bem...agora é hora de acender um Romeu e Julieta “exebicion 4”, e mandar esse texto para o Deda, também um grande apreciador, mas não vou convidá-lo por que ele fica no meu pé para entregar a coluna e reclama por eu escrever demais.
Bom dia, boas fumaças e até semana que vem.

NO VERÃO O FRIO É BEM-VINDO

O que mais a gente tem escutado por aqui é sobre esse calor infernal. Coitados dos resistentes gerentes de banco que insistem em usar terno e gravata. O imperialismo europeu continua reinando por aqui.
O cara que se diz presidente bem que podia baixar um decreto instituindo a abolição da gravata e a obrigatoriedade de ar-condiconado em locais públicos. Proíbe-se cigarro, mas o calor é permitido.

Se bem que sempre existe a polêmica do ar-condicionado. Porque os friorentos e apreciadores do suor saem de suas tocas para levantar bandeiras contra qualquer brisa de conforto que possa soprar sobre seus corpinhos desvitaminados. Depois de percorrer os mais diferentes climas e concluir que o sistema que condiciona o ar é a grande conquista da humanidade, constato que noventa por cento dos sorocabanos fazem a apologia do suor e odeiam essa grande conquista humana.

Enumerem, por exemplo, o número de restaurantes com ar condicionado na cidade. Falo daqueles que têm aparelhos que funcionam. Porque a pentelhice geral predomina e o ar-condicionado é uma tecnologia excluída da cultural local.

Aliás, o frio é civilizador, já dizia um grande filósofo amigo meu. Vejam se os países mais frios são subdesenvolvidos. Preferências à parte, quem quer calor é quem não precisa trabalhar (por férias merecidas ou por vagabundagem mesmo).

Ar-condicionado salva casamento em noites grudentas, salva as relações sociais porque conserva melhor o humor, salva a disposição de trabalho e salva o indivíduo na sua relação com a vida. Porque trabalhar melecado de suor não dá nem prazer e nem resulta em produtividade.

Que me invadam os ácaros suspensos no ar, mas se tiver que escolher entre a melosidade de quarenta graus e a plenitude de dezesseis, fico com a gratificação desta última.

Os donos de restaurantes, com todo o sacrifício econômico que implica manter clima bom em seus estabelecimentos, devem levar em consideração que a temperatura lá dentro faz parte da filosofia do negócio. O clima bom favorece o apetite, a escolha de vinhos (estes
menos lembrados no calor) e deixa um residual de retorno. Porque a gente gosta de voltar aos lugares onde nos sentimos bem. Ar-condicionado não é despesa, é investimento. E não venham me dizer que estou fazendo comercial para as empresas sorocabanas do setor, pois não atendo nenhuma delas.

Para aqueles, mais afetados pelo ar-condicionado - por problemas de alergia e doenças do aparelho respiratório - só posso argumentar com a lógica e incorporar nisso todo o meu respeito. São a exceção e devem ser respeitados de forma particular. Um exemplo: desliga-se o ar de um shopping porque pode afetar algumas pessoas, em detrimento da maior parcela que merece desfrutar esse conforto? Mais simples será, para as pessoas afetadas, reduzirem suas idas ao shopping. Num escritório onde trabalham 40 pessoas e duas sentem muito frio quando o ar é ligado, apesar do intenso calor. Oue passem a trazer agasalhos de casa ou mudem de emprego - vão trabalhar como pizzaiolos na boca do forno. (com todo respeito a esses profisssionais que não têm escolha)

É nesse momento que me ocorre uma pergunta frequente feita por algumas pessoas: por que não dão certo novos resturantes em Sorocaba?

Faça uma pesquisa e constate: ninguém se aprimora em qualidade de serviços, e isso inclue AMBIENTE e CLIMA. Os bravos sobreviventes nos mantêm aquecidos no inverno e confortavelmente sem a temperatura infernal do verão.
Desculpe-me apenas o Osmar, mas só volto no “costela” no fim de Abril.

5.4.06

Passarinho não acompanha urubu

Essa é uma daquelas história que não esqueceremos jamais. Adoro aventuras gastronômicas, e essa é uma das boas. Não pela dúvida da qualidade, mas sim pelo medo da conta.

Em algumas vezes eu já relatei essa aventura, mas acredito que ela vale a pena ser registrada, também aqui no Bom Dia.
A primeira parte traz as minhas observações e a segunda traz o relato de um amigo que caiu desavisado na brincadeira.

FASANO, para poucos.
Tudo começou com a idéia de uma noite especial, para marcar um momento de nossas vidas. Escolhemos, então, o Fasano.Para se dar uma idéia do que isso representou, nada melhor do que um exemplo prático: noite de sábado, fila de espera. E enquanto esperávamos no bar, desocupar a mesa onde estava Olavo Setúbal, tínhamos a companhia de Michel Temer.Acho que assim dá para situar um pouco o ambiente! Claro que não dá para negar a imponência das instalações; do acabamento em mármore carrara; do teto que se abre, automaticamente, bem no centro do restaurante; da decoração impecável; dos tapetes que nos revertem ao ³mágico.O ambiente, cosmopolita e elegante do Fasano é um lugar fantástico para conversar e degustar a cozinha primorosa de Salvatore Loi. Além de um atendimento impecável. Os melhores vinhos internacionais e algumas opções nacionais fazem parte da carta da casa. O bar é completo e confortabilíssimo. FASANORua Vittorio Fasano, 88, JardinsTel.: (11) 3896-4000

Passarinho não acompanha urubu
A proposta era a seguinte: ³vamos ao novo Fasano, eu compro uma garrafa de uísque e a gente come uns beliscos e aproveita a noite em grande estilo². A frase era de um amigo chegado: nem pensei recusar! Primeiro porque sou bebedor de uísque, segundo porque teria uma garrafa inteira, sem custo, no lugar mais badalado desses últimos tempos. Três casais no total, contando comigo e namorada.Todos viajados, com passagem pelos lugares badalados em Paris, Nova York, Madrid, Buenos Aires, Barcelona e Londres. Devo lembrar que no Lê Procope, fundado em 1685, em Paris, paguei 50 euros (quase 200 reais) por um jantar comme il faut: entrada, prato principal, vinho, licor e sobremesa, tudo farto. Significa que o presumido alto custo do Fasano não seria novidade. A idéia era conviver bons momentos no meio da fama e celebridades, embora ninguém do grupo fosse milionário, muito menos eu,cujo caixa estava num nível de alarme calamitoso. Mas, não custa investir duzentão numa noite inesquecível, num lugar considerado top line, foi o que imaginei. Bom, vamos em frente. Como tinha uísque na parada, pensei que o nosso encontro seria no Baretto, piano-bar do Fasano. Explico: você entra no saguão do hotel, do lado direito está o restaurante e no esquerdo o Baretto. Fui com minha namorada para o bar - essa é a minha tendência. Fomos recebidos pelo Maitre Comandante, pela Hotess Assistente, que nos passou para o Maitre Interior o qual delegou-nos para um Garçon Executivo que tinha sob suas ordens um Cumim Expert. Todos sorridentes. Olhei de longe para o bar, o Barman sorriu para nós. O pianista, os demais músicos também sorriram. Como meus amigos não tinham chegado e, diante de tanto sorriso, achei de bom tom pedir uma cerveja pequena e para minha namorada uma caipirinha de vodka nacional. Só para ³fazer hora² enquanto minha turma não chegava. Poderia ter pedido um vinho branco, mais chique, mas resolvi ser prudente e aguardar o uísque sob patrocínio do meu amigo. Para adiantar perguntei se vendiam garrafa, já estava de olho no Red Label ou mesmo num Black White, linha pop, porém, respeitadas. Sempre sorridente o Maitre Interior esclareceu que ali não vendiam garrafas de uísque, mas se chegássemos a consumir uma inteira teríamos um desconto final, na garrafa, de dez por cento. A dose do uísque era 45 reais. Preço da linha pop. ³Puxa vida², pensei, ³meu amigo não sabia dessa². Liguei o alarme e comecei a beber a cerveja em goles menores: precisava ganhar tempo.O ambiente maravilhoso, Dave Gordon, amigo de outros tempos e outros piano-bares, era um luxo. Pelo celular os amigos me avisaram que estavam já no restaurante, esperando: era lá o encontro. Pedi que transferissem minha conta do bar para lá e eles pediram que assinasse a transferência da caipirinha e a cerveja. Estávamos ali há uns quinze minutos e a conta indicava 80 reais! Uma caipirinha com vodka nacional e uma pequena cerveja. Recomendei sorrindo que chamassem o caminhão da Brinks para fazer a transferência. Eles não entenderam minha graça, mas continuaram sorrindo. Atravessamos o saguão e entramos no restaurante que também tinha o seu mini bar. Meus amigos já estavam se levantando e fomos para uma grande mesa no fundo do restaurante, deixando várias taças de Dry Martini modelo James Bond, tomadas no bar. Ora, se a gente estava indo para a mesa de jantar, minhas chances de beber o prometido uísque por conta do amigo estavam indo pelo ralo. E, pelo tamanho da mesa ³a maior da casa² se correspondesse ao custo do metro quadrado naquela região dos Jardins, a coisa ia ficar preta. Uma área do meu cérebro, não sei qual, ficou calculando que os duzentões previsto para despesas tinham que ser revistos. Meu amigo é especialista em vinho e escolheu um chileno, teoricamente mais barato, pensei, ou melhor, torci. Percebi que uísque não ia rolar ³nesse nível não é chique bebê-lo em mesa de jantar² - e me entreguei ao destino. Melhor seria relaxar e curtir a noite. E vem a fila, o Maitre Superior, o Maitre Comideiro, o Somelier, o Garçon de Toda Hora e o Cumim. Vinho acompanha água, e vice versa. A água era São Pellegrino, que no mercado custa 11 reais. Pela experiência de multiplicação no bar presumi - apenas presumi, o preço que cobrariam ali. Afinal de contas tinham que pagar o salário daquela gente sorridente. E sorriso não tem salário que chegue. O problema era que naquele ambiente os nervos afloram e a boca seca. Haja São Pellegrino! Bom, vamos em frente. O menu oferecia duas alternativas de jantar, todas acima de 180 reais. Ou você escolhia um prato muito bem descrito pelo Maitre Comideiro ou escolhia um menu degustação com cinco diferentes pratos, incluída a sobremesa. É evidente que os babacas raciocinaram que cinco é muito mais que um e ³vamos nessa². Menu degustação, cinco pratos. Babette ficaria orgulhosa e o duzentão inicial estava ficando pra trás. Uma garrafa vinho chileno dividida em seis taças mal dava para o deguste. E tome São Pellegrino. Mais uma garrafa de vinho, dessa vez, italiano. Chega o primeiro prato dos meus cinco previstos. Imagine uma tirinha de anúncio classificado, uma coluna por um centímetro. Era o tamanho da torrada com leve camada de patê em cima. Num prato enorme e maravilhoso. A gente se entreolhou, cada um tinha pedido um tipo de degustação. Mas o que é que eu queria num restaurante daquele? Uma travessa de sanduíche de pernil? Os pratos dos meus companheiros de mesa não diferiam muito. ³Vou me vingar no segundo prato², esperei. Veio outro enorme prato com um tomate pequeno descascado no vapor e duas tirinhas ³dois milímetros² de camarão. Tão finas que eram transparentes, delicadamente colocados no meio daquele imenso pratão. Que é que eu posso falar: ruim não estava, tinha gosto de tomate refogado e tirinha de camarão. O segundo prato do meu amigo ao lado mostrava uma camadinha de feijão no fundo, só. Nem pensar em cobrir aquele feijãozinho com uma merecida porção de arroz, num restaurante daquele! Feijão chique. Minha fome continuava inteira e botei esperança no terceiro prato. Veio. Quatro minúsculos cappelettis cercados por um caldinho não identificável. Demorei exatos 15 segundos para comê-los, porque quis ser fino e não mostrar fome exagerada. Como o quarto prato era risoto, minha esperança recaiu na imagem da comida italiana, tradicionalmente farta. O montículo de risoto, reunindo arroz arbório dentro de um dosador pequeno de uísque e, cuidadosamente depositado bem no centro do enorme prato. Qualquer SPA faria inveja àquela porção ridícula. Sem alternativa e com muita fome, sob os olhares perplexos de todos na mesa, decidi investir toda esperança na sobremesa. E quando ela chegou eu desabei. Tecnicamente era um micro pudim de pão com o nome pomposo e, minúsculo. Liga para o Fome Zero! No corredor do banheiro tem um botão que, acionado, descortina a cozinha inteira. Imediatamente todos na cozinha olham para você e sorriem. Devem pensar: olhem todos para os babacas. Bom, para resumir: já que a coisa veio longe, nos meus cálculos de pobre, o custo industrial do que comi não supera 16 reais, sem incluir, é claro, taças, talheres, toalhas de mesa, teto basculante, móveis, folha, instalações, decoradores, IPTU e abundância de sorrisos. A conta de R$ 2.544,00 para seis pessoas, não incluiu um champagne que o meu amigo pagou a parte. Ficou a lição: passarinho não acompanha urubu. Ficou também uma lição que muitos não aprendem: os restaurantes de Sorocaba ainda são muito baratos. Alguns não têm a fama e o aparato do Fasano, podem não ter o mesmo refinamento, mas são honestos e não merecem as tantas críticas que a gente faz.

CHOPP

“Tirar um bom chope não é tarefa de amador” e como prometido, vai aí um pouco dos detalhes que se relaciona à técnica de tiragem de chopp:
COPOS
Devem ser finos e mais altos do que largos. O diâmetro da borda superior deve ser pouco menor que o do centro. Existem centenas de tipos, porém o mais aceito no mercado é a tulipa que pelo seu formato evita a perda de gás, queda da espuma e oxidação do chopp.A espuma tem função importante para o chopp e a cerveja mas tem um inimigo mortal: a gordura. Portanto, copo limpo é essencial. Nunca usar copos quentes. É melhor se estiverem gelados, porém cuidado para não colocá-los na geladeira ao lado daquele bacalhau de domingo.
Barris
A tiragem de um bom chopp começa já na encomenda e recepção do material. No momento do transporte, existem cuidados específicos. Os barris sempre devem ser transportados em pé, em caminhões frigoríficos ou lonados, e jamais serem expostos ao sol.Os cuidados com os barris também influenciam na qualidade do chopp. Deve-se prestar atenção ao descarregar um barril e ao transportá-lo para evitar choques e amassamentos e o maior pecado que pode ser cometido é: ROLAR O BARRIL.Como o chopp agita-se durante o transporte, o equilíbrio do gás carbônico contido nele é quebrado e, para facilitar a tiragem e re-equilibrar a composição da bebida, devemos deixar o barril em repouso por um período de pelo menos um dia antes da utilização.

O local onde os barris são estocados deve ser o mais fresco possível, como uma câmara ou balcão frigorífico, onde a temperatura ambiente deve oscilar entre 3ºC e 5ºC. Logo que for retirado o lacre de proteção e for acoplado o equipamento de extração, deve-se consumir todo o seu conteúdo em, no máximo, dois dias.

PORTANTO: BAR VAZIO É IGUAL A CHOPP VELHOTIRAGEM
Encoste o copo inclinado no bico da torneira. Esse procedimento fará com que o chopp "corra" suavemente pelas paredes do copo. Abra a torneira e vá endireitando o copo devagar. Deixe o líquido "correr" sem interrupções até cerca de 3 cm. da borda e feche rapidamente a torneira. Desta forma, irá se formar neste espaço de 3 cm o chamado "colarinho". As torneiras mais novas (chamadas popularmente de "italianas") utilizam sistemas de compensadores e dispositivos para gerar o creme, tornando assim o trabalho de tiragem mais simplificado.

VILA FLORINDA

O Vila Florinda não é o que podemos chamar de "choperia", embora inclua nos seus serviços um chope com procedência à prova de qualquer teste: Alemanha. Razoavelmente conhecido, o Erdinger tem uma pequena, mas fiel, legião de apreciadores e, no Vila, o barman Abiel faz justiça à qualidade do chope “tirando-o” como se deve. Ou seja, na temperatura máxima de 2,5 graus, espuma cremosa e, sem deixar que o chope adormeça no balcão.
Vale pelo chope, pelo ambiente de sofisticação despojada, pela simpatia dos garçons e os aperitivos exclusivos.
Entre os tira-gostos do Vila, será imperdoável não provar as azeitonas recheadas com carne moída de vitela à milanesa, a um custo de R$ 12,00.

EXPRESSO SOROCABANO
O Expresso Sorocabano, também conhecido com o bar do Lee é unanimidade nos finais de tarde. Deve isso aos excelentes serviços que vem mantendo, tanto na qualidade de sua comida como na eficiência de sua equipe. Mas, nenhuma casa com o estilo do Expresso, seria capaz de alcançar e sustentar um sucesso, se a qualidade do seu chope não estivesse no mesmo nível dos demais serviços. E o chopp Skol (R$ ,00) do Lee, aprendeu que a temperatura e a rapidez entre o balcão e a mesa do cliente, são decisivos. Tanto que, ao lado das cervejas, o chope é um dos pedidos preferidos pelo freqüentadores. Como aperitivo, para acompanhar o chope, a seleção de sanduíches é fora de série. Não deixe de provar o Churrasquinho e o Bauru Chic, cortados à aperitivo. Sem concorrência e a um custo médio de R$ 8,00.

O verão tá pegando fogo

O verão tá pegando fogo, (ta certo que por aqui tem muita agua) e nada mais gostoso do que aquele chope gelado, cremoso, bem tirado e um bom papo para libertar a alma.
A palavra Chope vem do alemão chopp, que significa uma medida de volume. Equivale a 300 ml. Com o tempo, a palavra se tornou o nome da bebida, portanto, uma das regras para saber se você esta consumindo chope em um lugar que respeita sua sede, o copo tem de ser de 330ml, 300 de chope e 30 de espuma.
Essa bebida tão apreciada pelos brasileiros é o pai da cerveja, e foi inventada há cerca de 6.000 anos na Mesopotâmia (região onde hoje é o Iraque), e apenas em 1876, após a invenção da pasteurização é que foi criada a cerveja. Acredite, a bebida servia para o tratamento de doenças e para cerimônias religiosas ou festivas. Era também alimento. Em Sumério a palavra cerveja significa pão líquido, pois os ingredientes para preparo de ambos são praticamente os mesmos. Gregos e romanos através dos mosteiros, difundiram as técnicas egípcias pela Europa, e também contribuíram para melhoria do sabor introduzindo o uso do lúpulo em substituição a outras ervas até então usadas.
Apesar do consumo de chope no Brasil parecer ser alta, mas estamos em quarto lugar no ranking mundial. O consumo anual no Brasil é de 8,45 bilhões de litros, movimentando aproximadamente R$ 12, 5 bilhões.
O Brasil é o 4º maior mercado de cerveja do mundo, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Alemanha. Mas, em consumo per capita, ainda estamos muito, mas muito longe do líder. A República Tcheca, que consome 161 litros/ano. Alemanha é terceira colocada, com 123 litros. Os norte-americanos consomem 86 litros e nos brasileiros, bebemos míseros 47 litros, segundo a pesquisa da Euromonitor.
Tirar um bom chope não é tarefa de amador. Além da qualidade do liquido é necessário um bom transporte, armazenamento adequado, temperatura, copo fino e limpo, e mais uma porção de atenção, para que você possa degustar com todo prazer que merece.Mas esses detalhes ficam para a próxima semana.
Como ninguém é de ferro, resolvi fazer um agradável tour pela cidade e relatar aqui o que encontramos nos bares e restaurantes que servem chope em Sorocaba e pedi a porção que o garçom sugere como a melhor da casa. Nas próximas semanas vamos falar de pelo menos 10 lugares. Divirta-se, pois eu me diverti.

MANDALA CHOPERIA
Av. Visconde de Tunay,60
15 3202-2050
Foram vários os encontros no Mandala, e a casa vem segurando a qualidade com o passar dos anos. É claro que a simpatia dos irmãos Edwar e Pedro ajuda a atmosfera do lugar.
O chope do Mandala é realmente fantástico, e entusiasma você ficar horas bebericando por ali. O Chope Brahma (R$3,35), muito bem tirado estava na temperatura ideal.
O garçom nos ofereceu uma porção de Filé a moda RJ (R$24,30), grelhado em cubos com provolone, cebola e azeitonas pretas. Porção generosa e bem apresentada, mas confesso que ainda prefiro o File a parmegiana aperitivo.

BOÊMIA
r.Duque de Caxias, 84
15 3222-4456
www.chopperiaboemia.com.br
O pessoal da casa é bem atencioso, mas demoraram a entrar num acordo para revelar qual a porção mais vendida no lugar. Enquanto isso pedimos 2 chopes que vieram acompanhados de uma porção de pipoca. O chope Antártica (R$3,05), apesar de ser bem tirado, veio com a temperatura um pouco acima do ideal (por volta de 3 graus).
Depois de decidida a porção, veio um réchaud de ferro com uma porção de picanha fatiada, acompanhada por mandioca frita (31,90). Boa, mas sem grandes surpresas.

VILLA MORENO Restaurante
Av. Domingos Júlio,755
15 3233-0099
www.villamoreno.com.br
O Villa Moreno é sempre uma boa opção, fácil acesso, lugar para estacionar e por ser amplo, sempre tem lugar e a gente não perde a viagem. A casa é muito bem montada e desenhada para abrigar os clientes com o maior conforto.
O chope servido é o Schincariol (3,30), que apesar de algumas restrições pessoais (acidez elevada) estava honesto, bem tirado, na temperatura e num copo ideal.
Mas a atração de lá fica por conta da variedade do buffet (24,90), que sempre faz estragos irreparáveis às dietas, pois existem muitas opções e a gente come a vontade.
Caso você consiga resistir, e resolva ficar na porção, os garçons foram unânimes: Carpaccio (16,20), que realmente estava muito bem montada e com o tempero excelente.
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SOROCABA, SP, Brazil