10.5.06

Dois loucos, um babão e um burro


Hugo Chaves acha que é Fidel Castro, Evo Morales tem certeza disso. Kirchener acha que é esperto (apesar de todos argentinos também acharem), mas todos concordam em uma coisa: o presidente do Brasil é burro.
Lula assumiu que negociou mal. Negociar mal é comprar gato por lebre.
É um absurdo perdermos o investimento da Petrobrás (leia-se, nós brasileiros) feito na Bolívia, e nosso presidente dizer apenas que é ruim de negócio.
O presidente empacou diante de um venezuelano que lhe dá tapinhas nas costas, de um boliviano que recebeu sua ajuda para se eleger e de um argentino que recebe sem dar nada em troca.
Caso caiba uma sugestão ao Lula, diria para impedir que os produtos da Bolívia entrem no Brasil. Vai ser uma maravilha. Sem a cocaína que vem de lá o presidente pode se vangloriar da diminuição da criminalidade no País. Além disso, não teríamos que agüentar boliviano tocando aquela flautinha chata na praça Frei Baraúna.
Ou o Lula pode fazer como o Garotinho. Faz greve de fome. Já que ele está muito longe de ser um estadista, de repente pode até ficar elegante.

Faça o que falo, mas não faça o que eu faço.

Isso sim é que agir como se fala. Fiquei muito feliz com declaração do Dalai Lama, ao dizer que reverá os conceitos do budismo caso a ciência derrube a tese da reencarnação.
O premio Nobel da paz, mostrou que realmente a inteligência e a humildade representam o melhor caminho para a conquista da harmonia.
Muitas entidades e pessoas deveriam rever já seus conceitos. Fico indignado com a pregação da igreja ao proibir carne na sexta feira santa. A maioria da população brasileira não pode nem comprá-la. Desse jeito, temos grandes chances de entrar no céu (imagine os etíopes). Padre não pode casar, mas tem filhos, ou pior, alguns aliciam os filhos dos outros. Quando será que a hipocrisia vai dar lugar à luz do bom senso?
Porém o contra-senso não é patrimônio apenas dos católicos. Tem a igreja que proíbe cortar os cabelos e a outra que não faz transfusão de sangue e várias que tiram dinheiro. Não acredito que o Divino quer as pessoas mal cuidadas, que morram por falta de uma transfusão, ou que tirem comida da boca de seus filhos.
Quando vamos parar de aceitar passivamente o que falam e agir com decência fazendo valer efetivamente os dez mandamentos?

Nunca ouvi falar em renuncia re-anunciada.

O São Bento subiu pra primeira divisão junto com o Ratzinger, que de cardeal virou papa Bento XVI, ta certo que foi mais fácil um alemão virar papa, do que o São bento subir.
Mas a diretoria do São Bento brigou muito pelo time, com o time e sem o time. Brigou com o prefeito, com o secretário, com a imprensa, com bandeirinha, com o juiz e sua mãe, com o porteiro e com a sombra. É fato que essa diretoria fez muito pelo Azulão, o resultado esta ai: mas do que chegar se manteve na primeira divisão. Deu-me até a deliciosa vitória sobre os pó-de-arroz.
Mas francamente, não entendi a renuncia anunciada (por duas vezes), seria muito achar que o povo iria sair às ruas em defesa da diretoria, mesmo porque, ninguém defende briguento, não quero aqui ser mais um a criticar ninguém, mas como já dizia o rei Vicente Matheus: “quem ta na chuva é pra se queimar”.
Mas quero deixar aqui minha admiração pelo Ferrari e pelo Perdiga, foram corajosos e apesar das críticas, acreditaram no reencontro do São Bento com a cidade, mantiveram-se firmes em seu propósito até o fim, se é que o fim realmente chegou.

A culpa é nossa.

Nestas últimas semanas a conversa girou sobre o fato ocorrido na câmara de Sorocaba, onde nosso edil Ditão declarou saudades ao governo militar. Essa declaração me fez lembrar o ex-presidente Figueiredo, de quem eu acho que o nobre vereador tem saudades, que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo.
Mas como temos memória curta, podemos voltar ao episódio como o nosso presidente Waldomiro, que disparou contra a atitude (legitima) do protesto das mulheres no plenário ao dizer que lugar de mulher é em casa.
É verdade que a maioria fica indignada, com a dancinha ridícula da Deputada, ou pela impunidade que impera por aqui. Mas como somos o país do deixa pra lá, isso cai no esquecimento, mesmo por que toda semana existe um fato novo.
Fatos lamentáveis como vários outros ocorridos na política brasileira, mas infelizmente a culpa é nossa.
Somos os culpados por não dar mais dignidade ao ato de votar, e não adianta dizer que não votamos nesse ou naquele, a simples omissão da opinião política refuta esse argumento.
A falta de opinião é o instrumento mais forte para que personagens dessa política pequena continuem surgindo.
Meus caros, ou tomamos a responsabilidade de discutir política e deixar viva a dignidade da democracia, ou teremos que nos calar diante das declarações, opiniões e balés de nossos representantes.
Esse ano temos novamente a possibilidade de melhorar o cenário desse país, e até as eleições temos um bom tempo para discutir, com nossos amigos, nossos filhos, nossos colegas de trabalho, no bar, na esquina e na padaria.
Vamos aproveitar que vivemos em uma democracia, pois por um triste período os militares do vereador não nos deixaram falar. Vamos aproveitar que vivemos em uma sociedade onde a mulher é a grande consumidora, e tem que ser muita bem ouvida, pois esse país já viveu o tempo do outro vereador que acha que lugar de mulher é em casa.

Vamos aproveitar enquanto é tempo, ou teremos que continuar a dançar em má companhia e sem música.
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SOROCABA, SP, Brazil