24.5.07

NEVERLAND

Eu sempre enfatizo que esse País é uma mentira, vivemos aqui sempre um faz-de-conta. Essa semana foi aprovado o novo sistema de avaliação das escolas, agora o professor tem que arredondar a nota para cima e não existe mais a nota e meia. Explico: se o sujeito tira 6,1 a nota vira 7. Viu só? O professor faz de conta que aprova e o aluno faz de conta que estuda. Mas sempre por aqui os assuntos são tratados em parcelas e não com a abrangência que deveriam. O brasileiro não tem visão sistêmica de nada.
Semana passada eu falava sobre a representatividade da igreja católica e sua postura antiquada e sobre a postura de seu líder. Esse assunto é muito mais abrangente que a discussão de dogmas ou se o Papa é mais isso ou aquilo, mas muitos conseguem discutir apenas isso e não a representatividade de uma grande parcela da população mundial.
Para os católicos, certamente a visita do Papa representou uma reafirmação da fé e a renovação do espírito de paz e solidariedade. Para outros, representou um gasto desnecessário de 8 milhões de dólares. Para os mendigos da praça da Sé, um “lar de rua” limpo. Novamente esse País fez de conta que só é maravilhoso, que só é feito de paz e amor, que só é de pessoas de fé.
Antes de discutir o uso da camisinha, precisamos discutir VALORES, todos nós, todas as igrejas, toda sociedade.
Temos que receber muito bem todos nossos visitantes, mas eles têm que gostar de nossa casa como ela é, com suas qualidade e seus defeitos, sem parecer história de faz-de-conta.
17/05/07

Vai de Prada ou camisinha?

O Papa chegou e arrastou uma multidão de fiéis e infiéis, pelas ruas de São Paulo.
Como líder da maior Igreja do planeta, o ex-cardeal Joseph desceu de seu avião e pisou em solo brasileiro com seus vermelhos e reluzentes sapatos Prada e em sua primeira manifestação pública foi enfatizar seu posicionamento contra o aborto.
Para quem não acredita em santidade e sim em liderança, me parece bem menos nobre o comportamento do novo pontífice. É impossível a não comparação entre os Papas Bento XVI e João Paulo II, que quando chegou, beijou o solo Brasileiro e disse: “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca”.
A figura do Papa representa a maior liderança política da terra, a nação católica tem mais de 1 bilhão de pessoas, metade nas Américas e aproximadamente 130 milhões no Brasil.
O mundo cresceu e mudou e a Igreja Católica não se adaptou. O problema é que ela se estagnou e continua fechada a toda e qualquer evolução, seja humana ou científica. Ao contrário do líder Budista Dalai Lama, que diz que repensaria o budismo se a ciência provar a não existência da reencarnação, o Vaticano sequer discute.
Não podemos pensar mais em mundo perfeito e nem na teoria da punição, o sexo antes do casamento está aí caminhando de mãos dadas com a AIDS, a marginalidade social está aí correndo desenfreada com a criminalidade sexual. A pesquisa sobre células-tronco está aí e muitas vezes representa mais esperança ao doente de Parkinson do que a própria fé.Bento XVI pode ser o maior teólogo do mundo, mas ainda não viu Deus.
10/05/2007

Problema de memória.

Lembra do meu artigo da semana passada? Possivelmente, não. Hoje em dia há tanta informação brigando por um espaço em nossa memória que quase não cabe nada. E o curioso é que o tema da crônica de sexta-feira passada era justamente a maneira como a gente esquece tão fácil de tudo. Quase ninguém lembrou, mas ontem foi o Dia do Índio. E hoje completa-se uma década do assassinato covarde do índio Pataxó Galdino Jesus dos Santos. Aquele que foi queimado vivo em um ponto de ônibus por alguns jovens filhos de funcionários públicos em Brasília. Mas será que alguém ainda se lembra? Acho que não. Como pouca gente se recorda de que, mais recentemente, nosso Lulinha Paz e Amor pregava com seriedade as reformas política, fiscal, previdenciária. Agora já esqueceu. E ninguém mais lembra mesmo.Até um vereador conhecido nosso esqueceu que parlamentar também deve respeitar as leis que regem a sociedade. E que dirigir sem cinto de segurança também dá multa para quem exerce cargos públicos.A tão falada falta de memória brasileira já ultrapassou todos os níveis. Quem é que lembra o nome dos deputados e vereadores em que votou nas últimas eleições? Atire a primeira pedra aquele que nunca esqueceu. Todo mundo esquece data de aniversário, hora marcada, nome de artista, tabuada. Esquece tudo.Mas, enfim, antes que a gente esqueça, está chegando ao fim o prazo para fazermos a declaração do Imposto de Renda. Cumprir com nossa obrigação de cidadãos, pessoas físicas e jurídicas. O inesquecível Paulo Francis costumava dizer que imposto no Brasil é sempre doação. Porque a contrapartida é quase nenhuma. É declarar e esquecer.Aliás, muita gente andou esquecendo de alimentar o Leão faminto. A sonegação em Sorocaba e região chegou a R$ 214,4 milhões no ano passado. E este ano não vai ser diferente. A gente costuma esquecer muito fácil mesmo.

7.5.07

Escutar o povo é ilegal

O Ministério Público daqui parece mais tribunal de pequenas causas pra classe política. Primeiro o salário do prefeito e agora a pesquisa encomendada pela prefeitura.
Fico impressionado com a falta de preparo de nossos nobres vereadores, eles não fazem idéia do que é legislar, acham que a tribuna é feita para acusar ou elogiar apenas.
Aqui, a oposição não combate idéias, combate números e se esmera em críticas. Acham que se administra uma cidade como se administra a caderneta do mercadinho da esquina.
Chega de hipocrisia de comparar salário mínimo com valores de investimentos da administração pública. Não se contrata gente nem serviços qualificados para administrar uma "empresa" do porte
de Sorocaba, com valores pífios e que não estejam de acordo com o mercado.
O que importa são resultados e não a demagogia de se dizer que não gastou.
O Vox Populi é um dos mais conceituados institutos de pesquisa do Brasil, gente séria e comprometida com resultados. Fico muito feliz em saber que nossa prefeitura tem a preocupação de entender os anseios populares. Isso sim é política pública e não os brados de incompetentes que ficam empunhando a bandeira do retrocesso, gente preocupada em dar título de cidadão e promulgar o dia do saci.
Talvez se os nobres vereadores gastassem sola de sapato nos bairros sorocabanos, perguntando o que o povo quer, não seria necessário a prefeitura contratar um instituto com seus sociólogos, estatísticos e psicólogos para fazê-lo.
Faltou gente de coragem na câmara sem medo de ser vidraça, para defender o óbvio! A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS.

04/05/07

Alguém se lembra do Joãozinho?

Alguém se lembra do Joãozinho? Sim, aquele garotinho que estava no jardim 3, estudava na escola infantil no bairro Oswaldo Cruz... Não?
Há exatos dois meses o Brasil estava indignado e o congresso nacional discutia fervorosamente a criminalidade infantil. Neste espaço eu dizia que o País só se mexe quando algo acontece na classe média e mesmo assim tudo é fogo de palha. Pois é, dois meses se passaram e ninguém mais fala do menino João Hélio, que foi arrastado e morto nas ruas do Rio de Janeiro.
O congresso mudou sua pauta de foco – discutindo coisas mais relevantes (se os deputados podem ou não usar chapéu dentro do plenário), e a população está mais preocupada com o gol mil do Romário - ou ainda chora por que o São Bento voltou para segunda divisão. Alguns bradam dizendo que precisamos dar um basta, esquecendo que esse ponto já passou há muito tempo. Mas o que é tempo? Para quem não tem memória, tempo é coisa que não existe.
Lembro-me de uma reportagem no Bom Dia Brasil com o Alexandre Garcia, onde ele lembrava dos vários momentos em que alguém dizia basta por um fato ocorrido e que hoje faz parte apenas dos registros policiais. Em uma década tivemos um índio queimado por garotos em Brasília; o jornalista Tim Lopes morto e queimado em uma favela; a menina de 13 anos morta a tiros no metrô; os dois jovens mortos aqui em Embu por um menor; o desespero da população nos ataques do PCC, e por aí vai.
Ninguém combate nada, nem idéias. Os mais desesperados saem às ruas pedindo Paz. O que é paz? Precisamos cobrar ações, precisamos combater a bandidagem.
Esse País é uma piada. Só aqui a lei pega ou não pega. Se pelo menos cobrarmos o cumprimento da lei, grande parte desses problemas serão solucionados. Mas lei é lei. Até vereador tem que usar cinto de segurança e não falar ao celular dirigindo - mesmo que diga que essa lei não pegou.

12/04/07

Diversão e Arte

Finalmente o Lulinha paz e amor anunciou o novo ministério (pelo menos esta tentando), e ele tem procurado pessoas técnicas para ocupar os cargos, a exemplo da nossa Marta no ministério do Turismo, tudo haver uma sexóloga no país do turismo sexual.
Voltando pra terrinha, que dor no coração ver as obras do grande Caciporé Torres empilhadas num barracão da prefeitura. Além do desrespeito ao artista, que pouco caso com o dinheiro público. Tive o prazer de conhecer Caciporé, sua obra e sua simplicidade e compromisso com a arte . Quando veio fazer a avaliação do restauro das esculturas, pediu apenas o essencial para mais de mês de trabalho, um valor irrisório comparado ao valor da obra ou mesmo do tempo e talento do artista.
A prefeitura diz que retiraram as obras do saguão por representarem perigo as pessoas. Ai foi mais fácil jogá-las fora. Maravilha de raciocínio.
Praça pode respirar arte e cultura além de bancos e pistas de caminhada. São incontáveis os espaços onde as esculturas poderiam estar alocadas. A Praça em frente ao cic, na pista do Campolim, no paço municipal, na praça ao lado do museu ferroviário. Nessa última ainda mais apropriada, pois já passou a ter a secretária da cultura no palacete Scarpa.
O Secretário de Cultura e o prefeito precisam acordar e trazer os ares das artes plásticas para cidade. Pode se até dizer que a maioria do povo não entende, mas como vai entender o que não existe. Quem sabe, do alto do palacete Scarpa, possamos ver a cultura desabrochar finalmente em Sorocaba.

Onde estao os palmitos?

Acabo de ler uma notícia sobre a apreensão de palmitos feita pela PM em Votorantim.Volto a questionar qual é o destino das cargas apreendidas. Há uns quinze anos atrás, foi aprendida uma enorme quantidade de peles de jacarés, que na época valiam uma fortuna e o destino foi a incineração de todas elas. O fato é que no Brasil a justiça é tão errada e lenta que não se aproveita nada das apreensões. Demora tanto que em caso de material recuperado, quando volta ao legítimo dono, não está em condições de uso. Materiais resultantes de depredações naturais são queimados e outra quantia enorme dos mais variados artigos fica mofando em armazéns à espera de julgamento.
Quanto material bom se perde? Quantas bocas deixam de ser alimentadas? Como a pele de jacaré, ainda existem madeiras de lei queimadas, roupa, alimentos entre tantos outros. Além do custo das operações, existe ainda o custo de destruição ou de armazenamento.
Somos campeões em jogar dinheiro fora.
E por falar em dinheiro jogado fora, ontem a câmara não trabalhou. Foi ponto facultativo, como se as pessoas tivessem faculdade para julgar entre o trabalho e o lazer. Nossos vereadores discutem tanto mas na hora de escolher a folga e o trabalho ninguém abre a boca, pois a maioria prefere o churrasco da quinta e preparar a alma para pagar a penitência de comer bacalhau na sexta-feira Santa.
Pra onde vão os palmitos? Quem sabe os vereadores saibam o destino, pois existem mais mistérios entre Sorocaba e Votorantim que possa imaginar nossa filosofia barata.
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SOROCABA, SP, Brazil