Alguém se lembra do Joãozinho? Sim, aquele garotinho que estava no jardim 3, estudava na escola infantil no bairro Oswaldo Cruz... Não?
Há exatos dois meses o Brasil estava indignado e o congresso nacional discutia fervorosamente a criminalidade infantil. Neste espaço eu dizia que o País só se mexe quando algo acontece na classe média e mesmo assim tudo é fogo de palha. Pois é, dois meses se passaram e ninguém mais fala do menino João Hélio, que foi arrastado e morto nas ruas do Rio de Janeiro.
O congresso mudou sua pauta de foco – discutindo coisas mais relevantes (se os deputados podem ou não usar chapéu dentro do plenário), e a população está mais preocupada com o gol mil do Romário - ou ainda chora por que o São Bento voltou para segunda divisão. Alguns bradam dizendo que precisamos dar um basta, esquecendo que esse ponto já passou há muito tempo. Mas o que é tempo? Para quem não tem memória, tempo é coisa que não existe.
Lembro-me de uma reportagem no Bom Dia Brasil com o Alexandre Garcia, onde ele lembrava dos vários momentos em que alguém dizia basta por um fato ocorrido e que hoje faz parte apenas dos registros policiais. Em uma década tivemos um índio queimado por garotos em Brasília; o jornalista Tim Lopes morto e queimado em uma favela; a menina de 13 anos morta a tiros no metrô; os dois jovens mortos aqui em Embu por um menor; o desespero da população nos ataques do PCC, e por aí vai.
Ninguém combate nada, nem idéias. Os mais desesperados saem às ruas pedindo Paz. O que é paz? Precisamos cobrar ações, precisamos combater a bandidagem.
Esse País é uma piada. Só aqui a lei pega ou não pega. Se pelo menos cobrarmos o cumprimento da lei, grande parte desses problemas serão solucionados. Mas lei é lei. Até vereador tem que usar cinto de segurança e não falar ao celular dirigindo - mesmo que diga que essa lei não pegou.
12/04/07
Aqui estarão os artigos publicados no Jornal Bom Dia, além de reflexões entre umas e outras. Pensamentos baratos de uma vida rica.

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