7.5.07

Alguém se lembra do Joãozinho?

Alguém se lembra do Joãozinho? Sim, aquele garotinho que estava no jardim 3, estudava na escola infantil no bairro Oswaldo Cruz... Não?
Há exatos dois meses o Brasil estava indignado e o congresso nacional discutia fervorosamente a criminalidade infantil. Neste espaço eu dizia que o País só se mexe quando algo acontece na classe média e mesmo assim tudo é fogo de palha. Pois é, dois meses se passaram e ninguém mais fala do menino João Hélio, que foi arrastado e morto nas ruas do Rio de Janeiro.
O congresso mudou sua pauta de foco – discutindo coisas mais relevantes (se os deputados podem ou não usar chapéu dentro do plenário), e a população está mais preocupada com o gol mil do Romário - ou ainda chora por que o São Bento voltou para segunda divisão. Alguns bradam dizendo que precisamos dar um basta, esquecendo que esse ponto já passou há muito tempo. Mas o que é tempo? Para quem não tem memória, tempo é coisa que não existe.
Lembro-me de uma reportagem no Bom Dia Brasil com o Alexandre Garcia, onde ele lembrava dos vários momentos em que alguém dizia basta por um fato ocorrido e que hoje faz parte apenas dos registros policiais. Em uma década tivemos um índio queimado por garotos em Brasília; o jornalista Tim Lopes morto e queimado em uma favela; a menina de 13 anos morta a tiros no metrô; os dois jovens mortos aqui em Embu por um menor; o desespero da população nos ataques do PCC, e por aí vai.
Ninguém combate nada, nem idéias. Os mais desesperados saem às ruas pedindo Paz. O que é paz? Precisamos cobrar ações, precisamos combater a bandidagem.
Esse País é uma piada. Só aqui a lei pega ou não pega. Se pelo menos cobrarmos o cumprimento da lei, grande parte desses problemas serão solucionados. Mas lei é lei. Até vereador tem que usar cinto de segurança e não falar ao celular dirigindo - mesmo que diga que essa lei não pegou.

12/04/07

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