14.6.07

dá um rabo-de galo

A temperatura abaixa mas o clima esquenta cada vez mais. Denúncias, acusações e despautérios públicos aquecem os noticiários diuturnamente.
Estamos tão afundados nesse balaio-de-gato que até o botequim emudeceu. O lugar mais democrático que existe é o “Estado Independente do Boteco”. Lá seus habitantes escalam a seleção de futebol, derrubam técnicos e solucionam todos os perrengues políticos do país. Mas ultimamente o perrengue é tão grande que o bar está repensando sua posição política.
Ninguém mais defende esquerda ou direita, ou ainda posiciona-se a respeito de qualquer coisa, o papo virou apenas: será que vai chover? Tá frio, hein!
As tramas são tão complexas que é impossível ter uma conclusão entre um curanchim de galinha e outro, a única coisa que dá pra concluir é que o caldo entornou. Antigamente, falávamos que Fulano mandou um caminhão de pedra pro Sicrano, que Beltrano mandou asfaltar a estrada do sítio do Fulano e isso dava conversa pra mais de uma partida de bilhar.
Até acredito que sempre a corrupção e a bandidagem estiveram presentes, mas é chocante ver a quantidade de vigaristas que existem hoje, em todos os escalões e em todos os poderes. O despudor é cada vez maior. Assistimos “suruba política incestuosa” todo domingo no Fantástico e lemos “pornografia de construtoras necrófilas” na Veja.
Para imprensa não falta assunto, para o povo o assunto cansou e para o bar o assunto acabou. Vou tomar um rabo-de-galo pra ver se esquento o peito antes que me congele o cérebro.
01/06/2007

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