26.1.07

Da Terra do Fogo à Patagônia

Que coisa, nosso País voltou com os pacotes mirabolantes de crescimento. É incrível como o Lulinha paz e amor não consegue fazer nada amarrado. É lógico, que não sou hipócrita em dizer que o novo pacote não tem coisa boa, mas focar em apenas uma direção é perigoso como falta de equilíbrio, aperta de um lado que estoura do outro. Como o salário maternidade dado às mães pobres do nordeste, que dão a luz a mais de nove filhos só para receber a grana.
Agora não é só culpa do sapo barbudo. Entra e sai governo e o “celeiro do mundo” sempre fica a ver navios. A agroindústria parou de crescer, os pequenos produtores empobrecem a cada dia, a evasão rural é absurda e os financiamentos para compra de implementos e máquinas agrícolas estão entre os mais altos do mercado financeiro e nenhum pacote veio para contemplar esse setor.
Mas voltando ao Lulinha, que maravilha de discurso no encontro do Mercosul. Numa gramática impecável, como lhe é peculiar, disse: -“Nós temos um sonho de fazer com que o Mercosul possa representar da Terra do Fogo à Patagônia todos os países latino-americanos”.
O Kirchner deve ter amado o “esclarecimento” do companheiro brasileiro em afirmar que o Mercosul inteiro fica na Argentina.

18.1.07

Acidentes acontecem, mas...

O mais novo sorocabano é o baladeiro Rincón, todo mundo tem esbarrado com o técnico do São Bento nas noites da cidade. Pois é, mas o Bentão perdeu feio para o Noroeste, vai ver que teve festinha na concentração e os últimos a saírem foram os jogadores da defesa. A promessa é a recuperação contra o Corinthians e aí a pedreira não vai ser mole, mesmo porque apesar de ser Bentista de coração sou corintiano de “copo” e alma. Vamos encher o colombiano de convites para danceterias bate-estacas.
Acidente de percurso acontece no futebol, mas não se espera erros primários de profissionais.
Deixando o futebol de lado, fiquei impressionado com o acidente do metrô em São Paulo, mas não apenas com o tamanho da tragédia e sim com a reação da maioria das pessoas que precisam ir ou moram na capital: elas simplesmente reclamaram das dificuldades do trânsito. Fico chocado ao ver o sofrimento de tantas famílias com o descaso das pessoas.
Enquanto isso, começa o braço de ferro entre o governo de SP e as empreiteiras para saber de quem é a culpa, porque até agora a única culpada é a chuva.
Sim acidentes acontecem, mas catástrofes da engenharia podem ser previstas. Não tenho dúvidas que houve omissão de todos. Uns por não fazer, outros por não fiscalizar. E a nossa, por não protestar.

De Cicarelli a Chavez.

Semaninha esquisita essa! Começamos a segunda-feira com o You Tube fora do ar, porque a Cicarelli e o namoradinho de verão ficaram bravos com o filminho erótico que caiu na internet. Os dois fazem um sexozinho em local público e não querem que ninguém veja. Como diz minha filha: -pode isso?
Agora a imitação barata de Castro começa a fazer discurso de três horas, desintegra os poderes do congresso e se torna ditador eleito de fato.
Depois de todas as barbáries desse idiota, que conta com o apoio do nosso Lulinha paz e amor, agora vem com frases de efeito agradecendo a Cristo por ser o maior líder socialista da história. O que será que acham disso as lideranças religiosas daqui de Sorocaba que colocaram uma placa no início da av. Dom Aguirre com a frase”Sorocaba é de Jesus Cristo”. Se Chavez estiver certo quanto a facção política de Cristo, nada pertence a ninguém, nem a Ele.
Ortega também volta ao poder na Nicarágua e agora temos o trio de patetas completo. Não, nosso Lulinha não faz parte ainda do tijolinho socialista, Chavez, Morales e Ortega.
Ele deve não ter ido para a posse de Ortega porque estava tentando entrar no You Tube para ver a Cicarelli.
Pode isso?

“eta vida besta meu Deus”.

O ano mal começou e tem muita gente que já está estressada. Parece realmente que brasileiro gosta mesmo é de sofrer, porque passar o Réveillon na praia é programa de Pajé. 28 de dezembro, 8 da manhã, ir para o litoral norte parece ser algo fácil. Mas como nos aeroportos, a fila (de carros) demorou mais de 5 horas até o destino final, num acelera e freia entre a primeira e a segunda marcha. Festa com chuva em praia lotada e a volta pra casa fica para o dia 02, pois ninguém é “mané” para sair no dia primeiro. Maravilha, só 7 horas de viagem na volta.
Vai entender, mas tem gente que acha isso bom. As chuvas do início de ano são traumáticas, juntam as festas, as férias escolares e ressaca do ano velho. Essa mistura não tem como dar certo.
Melhorou um pouco esse ano pois pelo menos o piscinão do Abaeté funcionou e eu consegui sair de casa. Mas de qualquer forma a chuva castiga quem consegue tirar férias com os filhos, seja pelo surf no mar de carros que arrebenta no litoral ou seja na falta do que fazer em Sorocaba. Como se não bastasse a ressaca, mau humor, a chuva e criança presa dentro de casa, a TV já começa a tocar samba enredo do carnaval. Como disse Drummond: - “eta vida besta meu Deus”.

BOM DIA 2007

Estamos na última sexta-feira de 2006, ano que começou com promessas e esperanças de uma política séria e de muito gols do quadrado mágico na copa. Enquanto escrevo escuto na TV TEM que mais um ônibus foi queimado por bandidos no Rio, agora com direito até a panfletagem. Ano difícil do começo ao fim.
Mas vamos guardar apenas as boas lembranças, dos bons vinhos tomados em boa companhia, das gargalhadas dos amigos, do papo descomprometido do boteco, da fome saciada com uma comidinha feita com carinho, dos abraços verdadeiros, do sorriso admirado dos filhos, dos parceiros comprometidos, dos colegas fraternos, dos beijos dos pais, dos casamentos, aniversários e formaturas. Agora é renovar as esperanças para tentar enfrentar o que vem pela frente.
Acredito que nós somos melhores ou não, o ano nada tem a ver com isso. Portanto mãos-a-obra, temos que assumir um compromisso de superação pessoal, fazer o certo, dar bons exemplos, se indignar e principalmente tirar a bunda da cadeira e realizar, porque, como disse o poetinha: “é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe”.
Nós somos os narradores da história, e se ela vai ter um final feliz ou não, só depende da gente.

Festas boas e outras nem tanto.

Tem tanta festa que eu já estou virando papai-noel. As últimas três semanas foram recheadas de uísques, coxinhas, quitutes, vinhos e cerveja, ótimo que tem gente com coisas para comemorar. Ano estranho com gente esquisita mas eu tô legal. Perdemos a copa, nos afundamos num mar de lama dos escândalos políticos, bandido solto prendendo cidadão de bem, reelegemos o presidente paz e amor, brincamos de Fly Simulation e derrubamos o avião da Gol e o Palmeiras não caiu.
Não, não é só tristeza. Esse ano foi um daqueles que aprendemos muito, os abalos serviram para entendermos que os alicerces devem ser cada vez mais profundos.
Voltando às alegrias, foi ótimo estar com os parceiros de profissão, amigos verdadeiros e outros disfarçados contando lorotas. Fazendo uma conta simples, me parece que foi um ano bom individualmente, mas bem pobre coletivamente. Parece que existe um sentimento de derrota no ar. Hoje é sexta e têm mais algumas festas para ir, servindo para aprimorar a minha forma e treinar o ho-ho-ho para domingo, virar o bom velhinho.
Vamos preparar as promessas de regime, de ir à academia, casar e parar de beber. Mas só depois do ano novo! Porque ninguém é de ferro e esse ano foi longo.

Sorocaba, mostra tua cara.

Um amigo me escreveu dizendo que o Cazuza tinha razão ao dizer BRASIL, MOSTRA TUA CARA. E aí está a cara do nosso país.
O congresso elegeu o Valdemar, o Genuíno e mais um bando de acusados em escândalos. Ressuscitou o Maluf e veremos o Clodovil exibindo sua bolsinha básica da Louis Vuitton.
Essa é a cara do congresso, que também tem um monte de gente boa, que acaba sendo engolida pela ilógica política desse país.
Tenho que concordar que vivemos em uma democracia extremamente jovem, e como todo jovem cometemos bobagens. Mesmo assim o País resiste, vamos em frente e aprender com o erro dos outros, mesmo que tudo continue na mesma e percebamos que os errados somos nós.
Concordo que nosso imediatismo faça com que não enxerguemos a excelência desse país, e por isso precisamos diminuir as diferenças e ter um olhar presente, distante e menos apaixonado.
Nossa sorte é lançada diariamente, mesmo tendo o livre arbítrio para conduzirmos nossas vidas. Sendo assim, boa sorte Amary, leve a energia e alegria do Sorocabano para o congresso, boa sorte Panunzzio, continue com sua firmeza e integridade. Vocês são as caras dos sorocabanos no congresso e como sorocabano, quero ter orgulho ao olhar no espelho.

Os números falam e a gente não entende.

Números são estranhos. Estão sempre fazendo cena. Esclarecem, confundem. Uns servem para comemorar, outros para lamentar. Como esses a que tivemos acesso ontem.

Primeiro foi a pesquisa da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados): Sorocaba responde por 5,6% da riqueza do Estado, número que a posiciona como a décima cidade com maior participação no PIB em São Paulo.

Depois, em uma pesquisa do IBGE sobre a economia em 2004 – faz tempo, mas é assim, os números do passado vivem influenciando o presente – descobri que a renda per capita dos sorocabanos teve um crescimento de 11,2% em relação a 2003. Atingiu R$ 15.437,00 ao ano. Viva!

Mas aí o estudo “Expectativas de Consumo - Natal/2006”, da Fundação Instituto de Administração (FIA), acabaram com a minha festa. A pesquisa revela que 52,4% dos consumidores de São Paulo não deverão fazer compras de Natal este ano. Motivo: os altos índices de desemprego, queda da renda e restrição de crédito na capital.

Impossível comemorar assim. Mas números são números. Para festejar ou lamentar, eles estão aí. Escolha o que lhe servir melhor. Eu fico com este: hoje é o dia 349 do ano. Melhor esperar que 2007 traga números melhores para todos.

A vergonha do “estelionatório”.

Indignação. Do latim Indignatione. Segundo o Aurélio, “sentimento de cólera despertado por ação indigna”. Nunca, em toda a minha vida de leitor curioso, uma palavra traduziu tão perfeitamente o que sinto. Estou indignado no exato sentido da expressão.

O motivo é simples. Acabo de ler a matéria sobre a quadrilha que utilizava o nome de duas ONGs de fachada para arrecadar doações aqui em Sorocaba, em uma estrutura com 40 funcionárias no setor de telemarketing e mais de 20 motociclistas para coletar as contribuições.

E o pior: supostamente, o dinheiro seguiria para o tratamento de pacientes com câncer. Em um só mês, o escritório – ou melhor, o “estelionatório” – arrecadou R$ 270 mil!

Agora, sabe o que aumenta e envenena a minha indignação? É que enquanto isso, entidades tão sérias quanto necessitadas mal sobrevivem por falta de recursos. Um exemplo perfeito é o Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil, o GPACI, que espera uma reforma urgente em suas instalações para continuar salvando a vida de crianças que realmente precisam.

Isso tudo me faz pensar que, como ensinam os mais velhos, praticar o perdão continua necessário. Mas exercitar a indignação é a cada dia mais fundamental.
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SOROCABA, SP, Brazil