30.7.08

Texto do Mello






Devo confessar, já de início, que é possível que meus argumentos não sejam totalmente imparciais, porém afirmo que não serão levianos e nem mesmo estarão mascarados pela ignorância ou até mesmo pela ingenuidade propositada.
Vou falar da lei seca, ou melhor, que lei seca que nada! Vou falar da lei que nos impede de ingerir bebida alcoólica antes de dirigir. Vejam como soa bem essa frase, “impedir pessoas de ingerir bebida alcoólica antes de dirigir”. Mas quem são essas pessoas? Essas que ingerem bebida antes de dirigir? Serão eles mal feitores? Ou irresponsáveis que utilizam seus carros como armas letais?
Não. Não são eles desta vez! Essas pessoas somos nós cidadãos de bem, cumpridores de nossas obrigações que utilizamos nos veículos para o trabalho e também para nosso próprio lazer e o de nossas famílias. Essa minha afirmação pode parecer comprometida com minha preferência por jantar degustando uma boa garrafa de vinho, mas acreditem não me prestaria a esse propósito.
Afirmo que somos nós porque na lei anterior já contemplava os mal feitores e irresponsáveis. Já permitia a utilização do “bafômetro”, dentre outras penalizações suficientes para tirá-los de circulação. Ocorre que não houve fiscalização. Houve na verdade, a inércia do Estado, que nem mesmo equipou a polícia com os equipamentos adequados. (pouquíssimas cidades do país tinham ou tem o bafômetro).
Agora, com o nítido fracasso estatal e num rompante de populismo, somos nós cidadãos surpreendidos com denominada lei seca. Doravante todos os pais de família, de forma indistinta, que aos finais de semana levam suas famílias a churrascaria, a casa de amigos, assim como casais de namorados e outros mais que ingerem bebidas alcoólicas de forma responsável, estão proibidos de desfrutar desses programas se não estiverem acompanhados de um motorista particular ou ainda de um amigo que tenha habilitação e não aprecie a ingestão de qualquer bebida alcoólica.
Ora! Vamos e convenhamos isso é um absurdo! É intolerável! O que me assusta é que a ingenuidade propositada do Estado, contamina a opinião dos cidadãos, com o objetivo claro de esconder sua ineficiência, lança no banco dos réus aqueles que em nada contribuíram para o caos hoje existente no trânsito.
Como bom cidadão, vou observar o texto legal, não vou mais ingerir bebida alcoólica antes de dirigir, mas isso não vai importar no meu silêncio e nem vou concordar com o oportunismo transloucado do discurso “politicamente correto”. Todo aqueles que queira se manifestar sobre o assunto, por favor fique atento para não cair no vazio da opinião padrão veiculada pela mídia serviçal.

Autor: Marcos Marcelo de Moraes e Matos – é apenas um cidadão.

24.7.08

Os deputados acabaram de revogar a tão comentada 'LEI SECA'.
Após 3 dias de análises ficou comprovado que os bêbados estão passando o volante para as mulheres e o número de acidentes e barbaridades no trânsito voltou a aumentar.

As autoridades acham que o bêbado dirigindo é mais seguro.

Além disto, em diversos pontos da cidade onde ocorrem as principais baladas noturnas, são encontradas manifestações de revoltas de mulheres feias contra a Lei Seca... alegando que está cada vez mais difícil para elas arrumarem namorados.....

Yes, nós temos a Bud.


Em tempos de lei seca, o Brasil dos não-hipócritas mostrou a que foi. Somos donos de um símbolo da sociedade americana: A CERVEJA BUDWEISER É NOSSA. A InBev, administrada pelo brasileiríssimo Carlos Brito, foi ao mercado internacional, viu e venceu, reafirmando-se como a mais valiosa no setor de consumo do mundo, ao lado da Procter & Gamble, Nestlé e Coca-Cola.

O Brasil se destaca cada vez mais nos negócios mundiais, brigando bonito com gigantes e vencendo batalhas. Na novela da economia global, já somos
protagonistas.

A revista Veja desta semana traz oito grandes negócios das mega empresas tupiniquins. Juntas, alcançam 30 bilhões de dólares negociados. Isso, sim, nos acalenta na terra da bandalheira política. É só o governo não atrapalhar que o país dá certo.

Por aqui o governo é um Midas ao contrário, me perdoem os puritanos, tudo que toca vira merda. Mais uma vez o cheiro do esgoto chega até LULA LÁ, e está cada vez mais
difícil para ele dizer que não viu nada, não sabe de nada. Prova disso foi o desastroso afastamento do delegado Protógenes das investigações da Operação Satiagraha, que chefiou por mais de 4 anos, e a declaração do governo:”Mandei sair porque ele quis...”. Viu? Bota a mão e sai Merda.

Bem, vamos brindar o sucesso global com uma Bud gelada e seguir o caminho a pé, pois este governo continua enchendo a cara e dirigindo rumo ao poste da Brasil-Telecom.

PS: quem criou o conceito de complexo de inferioridade foi o psicanalista ALFRED ADLER e não Freud como um leitor escreveu. Se é que ele me entende.

25/julho/2008

17.7.08

Hipocrisia é um porre

"infelizmente o espaço que tenho no Bom Dia, não é suficiênte para responder como gostaria as críticas que me foram feitas. Por isso esta aqui a íntegra de como penso a questão"
Cada vez mais eu me convenço que, apesar dos avanços da ciência e da extraordinária evolução do ser humano enquanto indivíduo, a sociedade como um todo caminha a passos largos para a mediocridade e para a chatice. A hipocrisia social traz em si a larva do preconceito e a ignorância do politicamente correto. Pois meus caros, neste país onde reinavam a alegria dos costumes, a generosidade, a tolerância com as diferenças e o afeto como traço maior de um povo, agora surgem com maior força imperativos morais de políticos demagógicos, de pseudo intelectuais, falsos artistas e pensadores de biscoito da sorte.
Hipocrisia: ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. Nem todos são hipócritas, e perdoem-me os muitos que não são. Mas não existe expressão que defina melhor o repudio que tenho à atual cena política brasileira do que “putaria”. Pode até ser um excesso verbal. Mas é menos vergonhoso e indecente que o excesso de imoralidade, de safadeza, de falta de decoro e de ética que diariamente nos atiram na cara. Sim, é isso que penso. Não me escondo por trás de palavras bonitas que o povo não entende como FISIOLOGISMO (é um tipo de relação de poder político em que as ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses individuais).
Quero mostrar minha indignação contra aqueles que ainda cometem o "crime" do preconceito e acham que todos que bebem são manguaceiros, bêbados chatos ou amantes da marvada.
O moralismo é a fachada da intolerância, e muitas vezes a máscara das aberrações. Um dos lideres mundiais que se dizia convicto abstêmio foi Hitler. Prefiro a grandeza e o humanismo de um dos melhores bebedores da história política, Sir Winston Churchil.
O direito à opinião é constitucional e garante a livre difusão do pensamento. A imprensa é a grande ferramenta que a liberdade de expressão utiliza para manifestar pontos de vistas sobre todas as questões que envolvem nossa sociedade.
Quando escrevi o que penso sobre a invasiva Lei Seca, com a intenção de acrescentar meu repúdio ao abuso contra meus direitos, e não como apologia ao consumo de álcool, sem querer acabei despertando os ranços mal adormecidos de Sorocaba.
A minha surpresa maior foi constatar que apesar de estarmos em pleno século 21, em alguns raciocínios predomina a lógica medieval, dos tempos inquisitoriais e épocas de imposições. Meu ponto de vista sobre a modernidade é que ela trás em sua esteira uma forma mais racional de pensar, eliminando as sombras do obscurantismo e contribuindo para clarear a leitura do que necessita ser interpretado.
A constituição brasileira, embora imperfeita e complexa, assegura como inalienáveis os direitos e liberdades individuais. Estabelece como limite a esses direitos, os direitos dos demais. Quanto a isso nenhuma dúvida, quem não tiver a mesma leitura deve se enclausurar em uma caverna.
O motorista embriagado e que comete tragédias no trânsito é tão criminoso quanto qualquer infrator e deve assumir as conseqüências de seus atos irresponsáveis. Como qualquer criminoso em qualquer outro tipo de crime. E é nesse ponto que a lei é invasiva e preconceituosa. Pressupõe como de alto risco o cidadão que tomou dois chopes ou duas taças de vinho num jantar com amigos. E o impede de dirigir seu carro de volta para casa, como se ele fosse um criminoso potencial apesar de ser essa uma dosagem que não embriaga um adulto, e que é tolerada em países com uma cultura de trânsito muito mais responsável do que a nossa.
Beber não é contravenção, pois do contrário seria proibido. Beber muito, e sair dirigindo, aí sim é uma atitude que merece toda a repressão. Ou estamos vivendo um período de falsa interpretação da lei, ou se está usando falsos argumentos para um populismo de resultados cuja base se sustenta na contradição. Ou mudemos o texto da constituição.

A minha cara leitora Escritora, lhe falta na vida Baudelaire “Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Quem sabe após seu porre de virtudes eu lhe de a permissão em ter minha carta de demissão em mãos.

Meu caro doutor, talvez possa entender melhor a ciência humana se estiver mais próximo do homem do dia a dia, e da alegria de uma sociedade que, pelo menos até aqui, comemora a existência em um país abençoado por Deus e bonito por natureza.

Ninguém fede ao brindar a vida. Ninguém fica chato por um trago. Chatice as pessoas carregam na alma.

Putaria não alcoólica.

Recebi apoios e reclamações sobre a coluna da semana passada, em que falei da imbecilidade da Lei Seca. Retomo agora, pois o assunto é grande e não dá pra ser proseado em mesa de bar.

A imprensa faz o jogo do governo ao divulgar a diminuição dos acidentes e o número de motoristas presos. Agora pergunto: ALGUMA VEZ NESTE PAÍS viu-se tanto empenho em operações policiais?

É lógico que a tendência é baixar a violência no trânsito, tá todo mundo

acuado diante do GRANDE IRMÃO. O cerco começou na receita, tanto a Federal como a médica, sem as quais você é marginalizado, não lhe dão crédito e nem injeção sem que você seja vigiado.

Depois foi às ruas, a câmara instalada em cada trecho, nos apartamentos, elevadores e banheiros, certamente nas privadas para controle de descarga. Tem o google onde basta teclar e ver nossa biografia não autorizada. A constituição diz que os direitos individuais devem ser respeitados - com ou sem cachaça - e o nosso know-how de voltar pra casa após o happy-hour conta estatisticamente a nosso favor.

Vamos pedir ao STF uma emenda constitucional com essa ressalva. Carta de motorista para a molecada, só depois de provar no mínimo 30 anos de bebedeira incólume.

Essa lei é uma afronta a quem respeita leis, saiu da cabeça de algum demente anti-social e os "politicamente corretos" não têm colhão para brigar contra esse moralismozinho barato que se alastra, e que ajuda a esconder a putaria não-alcoólica do dia-a-dia federal.

A sociedade organizada está se tornando muito chata, estou com minha carta de demissão pronta.

11/7/2008

Se beber, não sopre.

Imagine um sujeito pronto pra pedir a mulher dos seus sonhos em casamento. Ele a leva a um restaurante caro. O jantar é perfeito, o vinho é ótimo. Ela diz “sim” e os dois terão uma noite inesquecível, certo? Errado. Na volta para casa, o carro é abordado numa blitz, ele é pego no bafômetro, perde a carteira por um ano, paga quase mil reais de multa e o casal ainda vai parar na delegacia. Que noite!

E o caso do padre que, obrigado a rezar três ou quatro missas em igrejas diferentes num mesmo dia, não pode mais tomar vinho antes da Eucaristia? Se for pego numa blitz entre uma igreja e outra, no mínimo vai atrasar a missa seguinte. E passar um ano a pé.

Aqui em Sorocaba, nem o santo João de Camargo escaparia. Nesta semana, uma escandalosa blitz em frente à Igreja dele parou a cidade. Se João de Camargo, que, como todo brasileiro, era chegado num aperitivozinho, chegasse àquela hora, não o deixariam estacionar em sua própria igreja.

Agora, piadas à parte, ô leizinha elitista! Quem tem dinheiro para andar de táxi depois de beber, está salvo. E quem não tem? Sem falar no convite à corrupção. Muita gente vai oferecer propina aos guardas pra escapar da multa e não perder a carteira.

Por tudo isso, não me resta saída senão lançar o movimento NÃO SOPRE! Em nome do direito inalienável, assegurado pela Constituição, de não produzir provas contra nós mesmos.

Pra concluir, repito o clichê: se beber e dirigir um carro dá cadeia, qual seria a pena mais justa para quem bebe e dirige um país inteiro?

3/7/2008

Procura-se um vice.

Em nenhum cenário político do mundo, a figura do vice tem tanta importância quanto no Brasil. O primeiro exemplo é o nosso atual vice-presidente. Com o incrível número de viagens internacionais do barbudo, José Alencar bateu o recorde de vezes em que se tornou presidente em exercício. Se somarmos o número de dias, ele facilmente teria no currículo um mandato inteiro na Presidência da República.

O Brasil é o País do vice. Ou o primeiro presidente civil depois de 20 anos de ditadura militar não foi Sarney, o... vice? E alguém já esqueceu do Collor? Logo depois do impeachment, o comando do País foi parar nas mãos de quem? Do vice Itamar Franco.

Geraldo Alckmin notabilizou-se no papel de vice do saudoso Mário Covas. Quando requisitado na ausência de seu chefe, “Geraldinho” cumpriu bem o papel e depois até virou titular. E na maior capital brasileira, o prefeito é ninguém menos que o vice Gilberto Kassab.

Até aqui em Sorocaba essa importância é grande. Prova disso é que nenhum dos candidatos à prefeitura anunciou os nomes dos vices. Nem o petista Hamilton, nem o ex-petista e hoje “comunista do Brasil” Gabriel Bittencourt, nem Raul Marcelo com Deus e o diabo na terra do PSOL, ninguém parece ter escolhido seus companheiros de mandato. Afinal, é um papel muito importante para decidir assim, tão rápido.

Por enquanto, a única certeza é sobre quem será o próximo prefeito antes das eleições.
Para se recandidatar, Vitor Lippi vai se afastar do cargo. Quem assume? O vice Caiuby.

E por falar nisso, quem será o novo vice no palanque do PSDB?

26/6/2008.

Cadê a oposição?

Quem dormiu antes do final de Brasil e Argentina, anteontem, não deve ter-se dado conta do quanto a pasmaceira da seleção canarinho está cada vez mais parecida com a vida política aqui no interior.

Tal e qual um futebol morno, sem garra e sem vontade, nossa política agoniza por absoluta falta de grandes temas, discussões produtivas e novas propostas. Pra você ter uma idéia, a última polêmica a cutucar os brios dos nossos representantes e da opinião pública local foi a queda de bicos entre o prefeito Vitor Lippi e o deputado federal Renato Amary para decidir o candidato do PSDB à Prefeitura de Sorocaba. Resolvida a questão, tudo voltou à mornidão de sempre.

Até quando? A menos que vivêssemos num paraíso sem problemas, sem razão para fazer críticas e tentar melhorar, política requer embate. Debate. Opinião. É assim que se movimenta a vida. Com o fogo das grandes vontades. Com um calor que hoje nos falta. Vivemos na mais absoluta mornidão e isso é péssimo. Está até na Bíblia, na Carta de Laudicéia: “Seja quente ou seja frio. Se for morno, te vomito”.

As eleições vêm aí e até agora ninguém viu a cara da oposição. Onde estão os grandes idealistas? Cadê as novas idéias? Do jeito que está, até parece que não temos problemas. E se não temos problemas, pra que termos eleições?

É hora de atentar para as grandes questões da cidade e discutir esses assuntos em casa, no trabalho, nas escolas e onde mais for possível dar calor ao debate. Até que isso aconteça, continuamos assim, no zero a zero como o Brasil e Argentina de anteontem.

19/6/2008

Licença sem educação

Nesta semana, o PT jogou sujo com a camada mais humilde da população. Principalmente com aqueles que carecem exclusivamente do transporte público para trabalhar.

Pensando nas eleições para prefeito e em sua própria, o vereador do PT Francisco França, vice-presidente licenciado do Sindicato dos Condutores de Sorocaba, apoiou uma “greve-relâmpago-e-covarde”, logo depois de ser concluído o acordo-dissídio para retorno ao trabalho.

Foi uma greve covarde, sim, porque pegou a todos de surpresa! A alegação, marota, do representante dos motoristas, foi de que a empresa de transportes tinha débitos de vale-refeição para com os trabalhadores. Ora, bolas! Por que cargas d’água não se discutiu isso antes, junto com a correção do dissídio?

É óbvio que cheira mal! Passa a impressão clara de que o “verador-vice-presidente-licenciado” teve interesses outros. Quis chamar a atenção e tratar o fato como incompetência de gestão do governo. E o que ganha com isso? A única coisa que se sabe é que, embora “licenciado”, o “vereador-vice-presidente” foi flagrado em cima do caminhão de som do sindicato, ajudando a incitar a greve.

Será que ele não deveria estar na câmara trabalhando? Ou no mínimo intercedendo junto às partes por um acordo para esta pendência, sempre no interesse maior da população ?

A intenção parece clara, barata e baixa, para confundir e instalar o caos na avaliação dos fatos. A democracia carece de oposição responsável e não de franco-atiradores, com interesses unicamente voltados para suas reeleições pequenas e covardes.

12/6/2008

Cidade que tem cultura.

A cultura começa a ganhar da iniciativa privada a atenção merecida. Não são poucos os eventos que vêm ajudando a inserir a região no circuito cultural. Semana passada, graças a uma parceria da Academia de Ensino Superior com o SESC, recebemos a visita de Luis Fernando Veríssimo. No mínimo, o evento tem o mérito de incentivar a leitura num país em que as pessoas lêem cada vez menos.

A cidade também já recebe, desde o início deste mês, o Café Filosófico no Espaço da CPFL, empresa patrocinadora do projeto. Toda sexta-feira, um nome de destaque na mídia, especialista em alguma área do saber, vem a Sorocaba discutir questões atuais como liberdade, amor, mundo moderno e por aí vai

Outro trabalho fundamental é o da AECA (Associação de Educação Cultura e Arte), da qual eu tenho a alegria de participar. Só para dar uma idéia dessa importância, termina hoje a Semana Nacional dos Museus, realizada simultaneamente em todo o país. Pela segunda vez, Sorocaba foi uma das cidades-sede do evento. Graças ao empenho do pessoal da AECA, em parceria com as secretarias municipal e estadual de Cultura e com a Fundec, recebemos a visita de autoridades como o secretário-adjunto de Estado da Cultura Ronaldo Bianchi, na tarde de ontem.Mas o maior desafio da AECA é a criação do MACS, o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, um dos projetos mais relevantes para a cultura na região. Agora, iniciativas como essa dependem do empenho conjunto de organizadores, empresas e poder público. Só assim vai ter fim nossa fome de comida, diversão e arte.

15/5/2008

Feliz Dia das Mães.

Há dois meses, no Dia Internacional da Mulher, disse aqui neste espaço que as pessoas precisavam olhar mais para as suas mães. Agora, a dois dias do tradicional segundo domingo de maio, volto ao assunto. Porque, definitivamente, alguma coisa está muito errada em nossa dinâmica familiar.

Os puristas, os ingênuos e os cínicos que me perdoem. Mas uma família com pais normais e em sã consciência, em que os filhos respeitam e valorizam as orientações de suas mães, não produz anomalias como o pai e a madrasta do ano, à primeira vista dois poços secos, vazios de qualquer valor moral.

Impossível não nos perguntarmos agora: como estarão as mães do casal acusado pela morte monstruosa da menina Isabella Nardoni? Será que fazem a si mesmas a pergunta clássica “onde foi que eu errei”? Até onde vai a responsabilidade das mães de assassinos, estupradores, ladrões, políticos corruptos e outros párias?

Por mais incrível que pareça, casos de agressão e morte de crianças pelos próprios pais são cada vez mais freqüentes. E quando é que imaginaríamos uma história como a do austríaco que trancou a filha no porão e a engravidou SETE vezes?Enquanto comemoramos o Dia das Mães, há milhares de mulheres parindo com o único objetivo de levar os bebês às ruas e “educá-los” para pedir esmola. Desvios, sim. Distorções sociais com causas diversas. Mas que encontram em nosso descaso o maior incentivo. Por tudo isso, é hora de aproveitar o Dia das Mães e fazer uma velha e mais que adequada pergunta:
Onde foi que nós erramos?

8/5/2008

Guerrilha tupiniquim.

Enquanto não tem terra, o MST arma a barraca onde tiver espaço. Sobretudo na mídia. Não são poucas as notícias do movimento. É invasão aqui, bloqueio de rodovias ali, declaração inflamada incitando medidas extremas acolá e por aí vai.

Ao mesmo tempo, a esperança de uma política nacional agrária séria e capaz de ser implantada em prazos razoáveis morre seca. É aí que os aproveitadores proliferam como praga, num território sem controle, sem lei, invadindo inclusive propriedades produtivas nas regiões mais valorizadas. Todo mundo sabe que há muita gente no movimento com outros interesses. O próprio MST afirma em seu site: “existem pessoas que se infiltram na causa com a intenção de enganar o governo e os próprios companheiros”.

Dois anos depois, o Brasil parece ter esquecido o episódio de 2006 em que manifestantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), dissidência do MST ainda mais radical, invadiram e depredaram a Câmara dos Deputados. Detalhe: o MLST defende a revolução socialista com base nas teses do chinês Mao Tse Tung. É mole?

Guardando-se todas as proporções, as FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, começaram assim. “Pelo bem das pessoas”. As mesmas que hoje estão escravizadas há anos no mato, morrendo doentes.
E o Lulinha Paz e Amor, cadê? Vai esperar outra tragédia? Porque até ontem 1.200 sem-terra acampados na Estrada de Ferro Carajás esperavam para fazer um protesto e tomar a ferrovia. Se ninguém fizer nada, o trem descarrilha e a terra, mais uma vez, vira a velha lama de sempre.
10/4/2008

Desinteresse mata.

Lá se vai o primeiro trimestre deste ano de eleições, Olimpíadas e competição em todos os âmbitos. Sobretudo na política. E como estamos a sete meses da corrida às urnas, já é tempo de trazer o assunto à roda.

Logo começam as campanhas políticas. Os marqueteiros já se preparam para convencer os eleitores a favor de seus candidatos. Milhões de reais serão investidos. Só para relembrar, a reeleição do Lula custou R$ 104,3 milhões – pelo menos foi o que ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral. E os gastos para eleição de alguns governadores, senadores, deputados e vereadores não ficam muito abaixo disso, não.

Agora, a pergunta é: o que realmente o eleitor absorve e aprende nessas campanhas? O número do candidato? Só se for. Está comprovada a distância cada vez maior entre representantes e representados. É evidente a falta de envolvimento dos políticos com as necessidades do povo. E sabe de quem é a culpa? Em grande parte, nossa.Uma famosa pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revelou há tempos a nossa realidade como eleitores: mais de 70% dos brasileiros não se lembram em quem votaram para deputado na eleição anterior. Assim, francamente, não é possível cobrar nada.

Aqui na cidade, por exemplo, o impasse no PSDB para decidir o candidato à Prefeitura está passando despercebido pela massa. Eleitor que se preza acompanha os fatos e tira suas próprias conclusões. O que não pode é nem saber o que acontece.

Cada vez mais, as disputas políticas se justificam apenas pela disputa. A quem realmente interessam – o povo – elas nem são notadas.
27/3/2008

Jejum cultural

No calendário religioso, a Sexta-feira Santa é uma das datas mais importantes. O famoso jejum comprova o respeito das pessoas pelos sacrifícios do Cristo. Está certo que nós, cristãos “mais ou menos”, tiramos só a carne vermelha do cardápio. Mas há quem passe o dia inteiro sem comer nada. E cerimônias como a “Comunhão” e o “Lava-Pés” dizem mais sobre humildade, capacidade de servir e outros valores do que qualquer gesto. É uma pena que o radicalismo cego e demais equívocos insistam em distorcer esses episódios em benefício de poucos “líderes”. Mas isso é outro assunto.

Para falar só em jejum, é hora de sairmos de um bem longo. Faz tempo que a cultura em Sorocaba quase morre de inanição. Tirando um ou outro espetáculo que chega pela iniciativa privada, estamos longe de ser uma cidade que respeita e valoriza a cultura. Primeiro, não há teatros com estrutura para grandes espetáculos. Não há museus para abrigar e exibir obras como as de Caciporé Torres, hoje jogadas em depósitos de poeira. Não há salas de cinema suficientes para divulgar uma mínima parte das boas produções. E o pior: ninguém faz nada para mudar.

Tomara que este tema esteja na agenda do próximo prefeito, seja ele quem for. Talvez aí a cidade saia desse longo jejum cultural.

P.S.: Justiça seja feita. Semana passada, reproduzi um erro de reportagem. Divulguei que os salários dos vereadores poderiam chegar a R$ 13.781,25 em 2009. Na verdade, devem chegar a apenasR$ 9.288,00. Coitadinhos dos novos vereadores. Ganhando tão pouco, serão obrigados a fazer jejum.

20/3/2008

As águas vão rolar.

Enquanto a chuva encharca e entope o trânsito lá fora, eu fico aqui pensando em nosso futuro político. Vai ser preciso muita sorte para a cidade não afundar junto com o senso de oportunidade dos nossos vereadores.

Quase ninguém percebeu, mas eles acabam de receber um aumento salarial de 4,5%. Agora os nossos honrosos representantes embolsam R$ 7.181,95 por mês. Antes recebiam R$ 6.872,68. E sabe como eles justificaram mais esse aumento? Com o índice utilizado pela administração municipal para corrigir as remunerações dos servidores públicos da cidade. É a velha tática do “eu também quero” funcionando.

Mas isso não é nada. O pior vem agora: para a legislatura de 2009 a 2012, vem novo reajuste. Em breve, uma reunião dos integrantes da Mesa Diretora da Câmara Municipal com os representantes de partidos vai discutir o assunto. Até maio deste ano, o projeto com a nova previsão de aumento deve ser elaborado, votado e aprovado. Quer dizer, os vereadores eleitos neste fim de ano já vão começar o mandato de salário novo. Deve ser por isso que todo mundo anda querendo se candidatar. Segura o bolso, contribuinte!
Fazer o quê? É a lei. Está lá na Constituição Federal: “o subsídio dos vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras em cada legislatura para a subseqüente. Esse valor pode ser até 75% dos salários dos deputados estaduais”. Traduzindo, se essa determinação for seguida, os vereadores que nós elegermos este ano podem entrar 2009 com um salário de até R$ 13.781,25.

Entendeu agora por que vivem dizendo que o seu voto vale muito?
13/3/2008

Todo dia é da mulher.

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher. Como sempre, não faltam críticos – quase todos mulheres – julgando a data como machista e tendenciosa. Por outro lado, sobram entusiastas, donos de floriculturas, joalherias, restaurantes e motéis para exaltar seus benefícios.

Bom ou mau, um dia só não muda nada - não na prática. As mulheres ganharam espaços cada vez maiores na sociedade, nas empresas, nos poderes públicos. Até mesmo na própria família. Mas ainda há muito o que conquistar.

Todos sabemos que ainda há empresas onde a mulher é a última opção para cargos de liderança. O que é um erro grotesco, mas real. Não é segredo que a violência contra a mulher resiste em todas as classes sociais. E que as delegacias criadas para protegê-las só não estouram de lotadas porque muitas mulheres têm vergonha e medo de procurar seus direitos.

Data importante ou dispensável, 8 de março devia ser o dia de lembrar uma realidade vergonhosa: no Brasil, há cadeias nas quais cidadãs com menos de 18 anos são lançadas a celas superlotadas de homens. E já que o dia é internacional, não custa lembrar que ali na Colômbia, a mãe de família Ingrid Betancourt e tantas outras mulheres vegetam, há mais de cinco anos, acorrentadas, reféns do jugo criminoso das Forças Armadas Revolucionárias do País, as FARC.

O dia da mulher é perfeito para lembrar conquistas. Mas sem esquecer de que ainda há muito que mudar. Por falar em esquecer, falta aos filhos lembrar um pouco mais de suas mães. Afinal, a mão que balança o berço é a mão que governa o mundo.

6/3/2008

16.7.08

Agora vai

Agora vai, 2008 começou. Todo mundo guardou a fantasia e agora é arregaçar as mangas, tocar o barco, cumprir as promessas e tentar fazer desse, um ano melhor. Lá em Brasília, a primeira sessão do ano já começou com a CPI dos cartões de crédito, pois em ano de eleição a caçada as bruxas tem que ser permanente.
Agora por aqui nossos vereadores querem continuar na folia, todos os 20 declararam que são candidatos a continuar no “bloco do paço lento”. Mal voltaram do recesso e só estão pensando nas eleições de outubro. Mas o presidente mandou avisar que não vai deixar que a tribuna vire palanque e quem cabular sessão vai ficar de castigo. Agora, acredito que não só o presidente da câmara deva ficar de olho nos colegas. É muito importante os eleitores estarem atentos, assim quando outubro chegar não erre o voto. Infelizmente a câmara é um time, portanto seu desempenho só pode ser analisado como tal, não posso negar que existem talentos individuais, mas no geral precisamos “contratar”, no mínimo, uma zaga nova.
Esse ano começou cedo e pelo jeito também vai terminar cedo, lá por novembro a poeira baixa. Só espero que a gente não tenha que abrir novamente o guarda-roupa e tirar a fantasia de palhaço.

março/2008
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SOROCABA, SP, Brazil