17.7.08

Cadê a oposição?

Quem dormiu antes do final de Brasil e Argentina, anteontem, não deve ter-se dado conta do quanto a pasmaceira da seleção canarinho está cada vez mais parecida com a vida política aqui no interior.

Tal e qual um futebol morno, sem garra e sem vontade, nossa política agoniza por absoluta falta de grandes temas, discussões produtivas e novas propostas. Pra você ter uma idéia, a última polêmica a cutucar os brios dos nossos representantes e da opinião pública local foi a queda de bicos entre o prefeito Vitor Lippi e o deputado federal Renato Amary para decidir o candidato do PSDB à Prefeitura de Sorocaba. Resolvida a questão, tudo voltou à mornidão de sempre.

Até quando? A menos que vivêssemos num paraíso sem problemas, sem razão para fazer críticas e tentar melhorar, política requer embate. Debate. Opinião. É assim que se movimenta a vida. Com o fogo das grandes vontades. Com um calor que hoje nos falta. Vivemos na mais absoluta mornidão e isso é péssimo. Está até na Bíblia, na Carta de Laudicéia: “Seja quente ou seja frio. Se for morno, te vomito”.

As eleições vêm aí e até agora ninguém viu a cara da oposição. Onde estão os grandes idealistas? Cadê as novas idéias? Do jeito que está, até parece que não temos problemas. E se não temos problemas, pra que termos eleições?

É hora de atentar para as grandes questões da cidade e discutir esses assuntos em casa, no trabalho, nas escolas e onde mais for possível dar calor ao debate. Até que isso aconteça, continuamos assim, no zero a zero como o Brasil e Argentina de anteontem.

19/6/2008

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