17.7.08

Jejum cultural

No calendário religioso, a Sexta-feira Santa é uma das datas mais importantes. O famoso jejum comprova o respeito das pessoas pelos sacrifícios do Cristo. Está certo que nós, cristãos “mais ou menos”, tiramos só a carne vermelha do cardápio. Mas há quem passe o dia inteiro sem comer nada. E cerimônias como a “Comunhão” e o “Lava-Pés” dizem mais sobre humildade, capacidade de servir e outros valores do que qualquer gesto. É uma pena que o radicalismo cego e demais equívocos insistam em distorcer esses episódios em benefício de poucos “líderes”. Mas isso é outro assunto.

Para falar só em jejum, é hora de sairmos de um bem longo. Faz tempo que a cultura em Sorocaba quase morre de inanição. Tirando um ou outro espetáculo que chega pela iniciativa privada, estamos longe de ser uma cidade que respeita e valoriza a cultura. Primeiro, não há teatros com estrutura para grandes espetáculos. Não há museus para abrigar e exibir obras como as de Caciporé Torres, hoje jogadas em depósitos de poeira. Não há salas de cinema suficientes para divulgar uma mínima parte das boas produções. E o pior: ninguém faz nada para mudar.

Tomara que este tema esteja na agenda do próximo prefeito, seja ele quem for. Talvez aí a cidade saia desse longo jejum cultural.

P.S.: Justiça seja feita. Semana passada, reproduzi um erro de reportagem. Divulguei que os salários dos vereadores poderiam chegar a R$ 13.781,25 em 2009. Na verdade, devem chegar a apenasR$ 9.288,00. Coitadinhos dos novos vereadores. Ganhando tão pouco, serão obrigados a fazer jejum.

20/3/2008

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