Imagine um sujeito pronto pra pedir a mulher dos seus sonhos em casamento. Ele a leva a um restaurante caro. O jantar é perfeito, o vinho é ótimo. Ela diz “sim” e os dois terão uma noite inesquecível, certo? Errado. Na volta para casa, o carro é abordado numa blitz, ele é pego no bafômetro, perde a carteira por um ano, paga quase mil reais de multa e o casal ainda vai parar na delegacia. Que noite!
E o caso do padre que, obrigado a rezar três ou quatro missas em igrejas diferentes num mesmo dia, não pode mais tomar vinho antes da Eucaristia? Se for pego numa blitz entre uma igreja e outra, no mínimo vai atrasar a missa seguinte. E passar um ano a pé.
Aqui em Sorocaba, nem o santo João de Camargo escaparia. Nesta semana, uma escandalosa blitz em frente à Igreja dele parou a cidade. Se João de Camargo, que, como todo brasileiro, era chegado num aperitivozinho, chegasse àquela hora, não o deixariam estacionar em sua própria igreja.
Agora, piadas à parte, ô leizinha elitista! Quem tem dinheiro para andar de táxi depois de beber, está salvo. E quem não tem? Sem falar no convite à corrupção. Muita gente vai oferecer propina aos guardas pra escapar da multa e não perder a carteira.
Por tudo isso, não me resta saída senão lançar o movimento NÃO SOPRE! Em nome do direito inalienável, assegurado pela Constituição, de não produzir provas contra nós mesmos.
Pra concluir, repito o clichê: se beber e dirigir um carro dá cadeia, qual seria a pena mais justa para quem bebe e dirige um país inteiro?
3/7/2008
Aqui estarão os artigos publicados no Jornal Bom Dia, além de reflexões entre umas e outras. Pensamentos baratos de uma vida rica.
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