Cadê a coerência?
O amanhã a Deus pertence – diria minha santa avozinha. E eu acrescento: o adversário político de amanhã, só Deus sabe. Agora, do jeito que anda o vai-vem de alianças instantâneas, com rivais históricos se tornando compadres da noite para o dia de forma tão improvável, nem Ele está livre das surpresas.
Cobro, sim, posição da oposição. Defendo a discordância de idéias.
Agora, tem gente confundindo "debater frente a frente" com "bater de frente" a um princípio fundamental: a coerência.
Por mais que o mundo esteja tão diferente do que viveu a minha avó, por mais ampla que seja a nossa percepção da vida política e por mais longo que tenha se tornado o nosso campo de visão, tolerância ainda tem limite. É incrível a velocidade com que muitos personagens mudam de lado no debate político. Ou como é que pode, hoje, alguém ser apontado como a encarnação da besta e, na manhã seguinte, ser aclamado como um poço das maiores virtudes?
E o pior: se cada aliança representasse a soma de grandes potenciais para a criação de novos projetos, seria perfeitamente natural e admissível a união de lados antes opostos. Afinal, tudo pelo bem de um projeto maior. Mas não! O que temos visto são reuniões descabidas com o simples objetivo de engrossar a gritaria desprovida de idéias.
Assim, minha gente, tudo vira apelação. Ataque gratuito. Como um jingle veiculado nas rádios locais, em que uma criança repete o cansativo refrão “tirulipi, tirulipi, tirulipi...”. Como piada, até vale umas risadas no bar. Como idéia, não chega nem perto de valer o seu voto.
27 de Setembro 2008
Aqui estarão os artigos publicados no Jornal Bom Dia, além de reflexões entre umas e outras. Pensamentos baratos de uma vida rica.

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