14.7.09

Férias para quem pode

Há pouco completamos nossa escalada de trabalho anual para arcar com todas as cargas tributárias do país. Afinal, precisamos nada menos que 197 dias do ano somente para dar conta de tanto imposto.
Mas a maior parte dos cidadãos continua trabalhando, nos dias que sobram em meio a tanto feriado, para conseguir cobrir as despesas que deveriam ser custeadas justamente por essa soma bilionária recolhida pelo Estado, com a alegação de custear os serviços de saúde, segurança e educação.
Como isso não passa de balela para justificar o rombo no bolso de quem faz efetivamente esse país funcionar, sem o recurso de atos secretos tão bem amarrados lá pelas bandas de Brasília, o que mais resta senão trabalhar para pagar os inevitáveis custos do que temos que bancar pela desbancada do governo.
Enquanto isso, nossos nobres vereadores iniciam mais uma temporada de férias. Mas quem disse mesmo que estavam trabalhando. Me lembro sim das discussões sobre os reajustes dos salários, mas parou por aí. Aumento aprovado e o marasmo voltou ao plenário. Nunca vi tão pouco entusiasmo em apresentar novos projetos. Tá certo que a crise estancou investimentos, mas é justamente aí que se cobra dos políticos disposição para apontar alternativas que acrescentem algo a sociedade que os elegeu.
A verdade é que em tempos de crise, o cidadão comum chega a ter medo de tirar férias porque elas podem se tornar definitivas. Afinal, a ausência pode mostrar que ele não faz falta. Infelizmente, essa regra não se aplica aos nossos vereadores. Se não poderia falta quórum no retorno do recesso.

7.7.09

Se espirrar...


25/6/2009


Com o perdão do trocadilho, o episódio do passageiro com gripe suína no ônibus entre Sorocaba e São Paulo, há dias, espirrou em nossa cara a real noção de contrairmos uma doença sobre a qual pouco sabemos. Sim, porque pior que ficar doente é ficar doente de algo sobre o qual ainda não se sabe muito.

Afinal, o que é pra fazer? Se alguém espirrar do meu lado, a instrução é sair correndo? Tudo bem, já sabemos que as máscaras cirúrgicas reduzem em mais ou menos 75% o risco de contrair o vírus. Agora, em que pé estamos? Se é pra usar as máscaras, basta avisar! Melhor sermos uma multidão de mascarados do que uma população de desinformados, lotando hospitais a qualquer resfriado.

Basta um passeio por aí para constatar a situação de pré-pânico em que estamos. Na rodoviária, nos terminais de ônibus urbanos, clínicas, hospitais, postos de saúde e até em estabelecimentos como padarias, pipocam cartazes instruindo a população a procurar um médico ao menor sinal de sintomas como tosse, dor de cabeça, febre, coriza e outros. Agora, com todo respeito, qual é a novidade?

A verdade é que está faltando uma grande campanha de esclarecimento público sobre a gripe suína, que para piorar agora é chamada por alguns meios de comunicação de “nova gripe”. Claro que a confusão só vai aumentar. E os produtores de carne de porco não serão os únicos a se preocupar com a queda nas vendas. Sem informação de verdade, daqui a pouco ninguém mais sai de casa com medo, não viaja, não faz compras. E aí, com ou sem gripe, a dor de cabeça vai ser maior.

Vou torcer pra que isso não aconteça. Mas se espirrar, saúde!

De quem é a crise?



18/6/2009


O discurso de José Sarney esta semana foi uma das maiores demonstrações de cinismo, dissimulação dos últimos tempos. Ao afirmar que “a crise do Senado é do Senado” e não dele, Sarney se eximiu sem o menor pudor da sua responsabilidade de presidente da casa e jogou para o alto, entre outras arbitrariedades, a contratação de dois de seus netos para cargos públicos sem concurso.

Infelizmente, o cinismo vai se tornando a cada dia mais corriqueiro em nossa classe política. Os brasileiros, por sua vez, vão ficando curtidos pela repetição de sacanagens e declarações surreais. A ponto de perder a capacidade de se chocar com os absurdos de Brasília.

Por falar em absurdo, o presidente Lula teve a coragem de dizer que Sarney não pode ser tratado como “qualquer um”, assumindo que há no Brasil uma elite acima do julgamento dos reles mortais pagadores de impostos.

Outro insulto contra a inteligência é o raciocínio comum segundo o qual, descoberto um desvio de verba pública, basta devolver aos cofres públicos o dinheiro desviado. Não basta, não. O mínimo que se espera é a identificação dos culpados e a sua exposição ao julgamento nas urnas. Mas o cinismo político é maior.

De tão cínico, Sarney nem sequer se “avexou” de pedir sugestões aos senadores em seu discurso e depois não acatar nenhuma das dezenas que recebeu de seus colegas. A coisa mais verdadeira desse episódio foi a declaração irônica de um senador do próprio PMDB. Segundo ele, ao pedir uma mãozinha, Sarney não esperava receber uma “avalanche de sugestões”. Tantas que, coitado, o gabinete de Sarney entrou em crise.

Cuba – capítulo final


11/6/2009


Falar de Cuba só pelo que se lê nos livros e na imprensa é como elogiar o gosto de um chocolate sem prová-lo. Simplesmente, não dá. É mais ou menos com confiar em sexólogo virgem. Ele sabe toda a teoria, mas na prática, que é bom, não faz nada.

A visão romanceada sobre a Ilha é um dinossauro ideológico que insiste em perambular por aí, na impressão vesga de pseudo-comunistas estrábicos. Até conhecidos entusiastas da revolução, artistas e escritores como Chico Buarque e Mario Llosa, já reconhecem e anunciam que Cuba não é só um país esmagado pela sanha capitalista norte-americana.

Aos movimentos recentes de Barack Obama, o governo ditatorial da Ilha respondeu com um sonoro “NÃO QUEREMOS ESMOLA”, deixando claro que o tão falado embargo econômico a Cuba é orquestrado e protagonizado pelo próprio governo cubano. Por décadas, esse governo tacanho manteve a situação de penúria em que se encontra o povo cubano por puro capricho político, em nome de um ideal socialista que ruiu faz tempo.

Para conhecer Cuba de verdade, minha gente, e não correr risco de sair por aí dizendo besteiras, é preciso ver de perto, ao vivo, como vivem os cubanos. A grande verdade é que a Ilha é habitada por náufragos. Sobreviventes recebendo milhares de fragatas sem poder embarcar em nenhuma. Sobram-lhes apenas um mar de boias e a esperança de um porto seguro em Miami.

Passou da hora de varrermos do planeta qualquer recanto de ditadura. E do país belíssimo e sofrido que acabei de visitar sobrarão a música e a alma inconfundíveis do cubano. O resto já vai tarde. Quem quiser conferir que vá até lá. Mas que vá logo, antes que acabe.

Ao som da ilha.


4/6/2009


Semana passada, falamos aqui do famoso gingado cubano até o último ponto final do artigo. Quando o assunto é a ilha, mil e quinhentos caracteres duram tão pouco quanto uma semana inteira em Havana. Passam correndo. Deixam só um rastro de lembrança e saudosismo puros. Ah... os puros...

Mas antes que o tempo e o espaço acabem de novo, retomo o tom do gingado cubano pela cintura. A incrível musicalidade do cubano faz você gostar de Havana de forma involuntária. É entrar em qualquer dos incontáveis bares e restaurantes locais, encontrar pequenos conjuntos musicais e constatar que são eles os que traduzem a alma verdadeira do povo da Ilha.

Falar da grande capacidade musical de Cuba é redundar sobre o que todos já sabem.
Mas ir até lá e constatar ao vivo essa tremenda evidência tem um sabor que transcende e emociona. Estive uma noite em “La zorra y El cuervo”, um tradicional clube de jazz de Havana, e fui brindado por um show de Latin jazz que terminou com uma interpretação mágica de “manhã de carnaval”. Agradeci o maestro, me apresentei como brasileiro e ele me abriu um sorriso. “O Brasil tem a melhor música do mundo. E olha que eu sei do que estou falando”, disse o band leader.

A música popular não estabelece diferença entre regimes controladores e liberais. No Brasil ou em Cuba, é a música. Livre, libertadora. E se existe uma liberdade explícita em Cuba, ela se manifesta através do talento e da simpatia de sua gente.

Pronto. Acabou o espaço de novo. Já o tempo, quando o assunto é a Ilha, esse não acaba nunca mais. Fica na lembrança. E no sabor do próximo puro. Hasta!

Soy Cuba!



28/6/09


Semana passada, adiantei aqui a minha impressão de que em Cuba existem dois países diferentes. Isso é tão óbvio quanto dizer que no Brasil quase todo político rouba.

Claramente, há a Cuba dos turistas, caríssima, e a Cuba dos cubanos, pobre e decadente. Na primeira, uma coca-cola (sim, eles se renderam ao símbolo americano) custa 3 dólares, o que equivale a mais de seis reais. Já na Cuba dos cubanos, onde tudo é subsidiado pelo governo, os moradores da ilha fazem uma refeição completa com feijão, arroz, bife, batata, salada, suco e sobremesa por menos de cinco centavos de dólar.

A economia cubana tem duas moedas: o peso cubano, ao qual o turista não tem acesso, e o peso conbertible (CUC) para os turistas, cotado a um valor 20% maior que o do dólar americano. O CUC é a chave de acesso dos cubanos ao paraíso dos hotéis, restaurantes e lojas que, em tese, são só para turistas. Isso faz com que os melhores empregos em Cuba sejam ligados ao turismo. Dá pra entender por que o sonho de quase todo cubano é ser camareira ou porteiro de hotel. Ali as gorjetas são pagas em CUC.

Pra você ter uma idéia, em Havana nos pedem tudo. Calça, camisa, barbeador descartável etc. Perguntei porque me pediam um barbeador usado e a resposta foi dura: “aqui isso custa 30 dólares.”

Apesar de tudo, o cubano dá uma lição em muita gente. É um povo extremamente simpático, alegre, irrequieto e animado. Havana é uma festa permanente e as cores, a música e o gingado fazem desaparecer todos os aspectos tristes.

Como dizem por lá, “al som de la isla se va la tristeza”...

21/6/09

Cuba Libre

Caríssimos, depois de curtir minhas férias em Havana, nas próximas semanas tentarei registrar aqui minhas impressões sobre Cuba. Há anos tentava fazer essa viagem. Nutro uma grande paixão pela ilha, pelo rum e pelos “puros”.

Para nós, capitalistas, é difícil entender a última voz socialista do ocidente. Os cubanos são obrigados a abandonar seus sonhos de crescimento financeiro, e o não direito à propriedade é trágico. O governo é dono, proprietário, locador e coletor de tudo que há na ilha. E quase tudo é sucateado. Só se salvam os empreendimentos turísticos, leia-se hotéis, de cadeias europeias como o Meliá, e as atrações locais como Havana Vieja e o Malecom, agora patrimônios da humanidade, aos poucos restaurados e mantidos pela UNESCO e a comunidade européia.

Uma pessoa muito importante em Havana Vieja me disse uma dura verdade. “Cuba está falida, o sistema provou há muito que não funciona (...) o regime continua por puro orgulho, usando como desculpa um embargo que na verdade não existe.”

Repeti uma pergunta a todos os cubanos que conheci: se você pudesse, sairia de Cuba? Todos responderam que sim. E o pior: iriam para qualquer lugar.

Apesar de tudo isso, senti entre os hermanos uma dignidade implícita, revelada em gestos e palavras, mesmo quando discordam do sistema. A solução social é razoável, com as crianças nas escolas, saúde pública e faculdade de graça. Mas o preço é alto demais.

Em Cuba, existem dois países, duas economias totalmente diferentes: uma para os turistas, outra para o cubanos. Inevitavelmente, pensei no Brasil. Mas isso fica para o próximo artigo.

Acorda Alice

Quando me deparo com notícias sobre os entraves nas negociações de salários e empregos encabeçadas pelas intituladas lideranças sindicais, percebo que eles não vivem no mesmo mundo que a categoria que representam.

Em tempos de turbilhão da economia, provocado por essa tal marolinha com efeito de tsunami, o trabalhador vive a incerteza de que no próximo mês o salário vai chegar para pagar as contas que não deixam de chegar. Manter o emprego virou o sonho de consumo.

É justamente nesse cenário que vemos um sindicato se negando a apresentar aos trabalhadores que representam a possibilidade de concordar ou não com uma redução temporária de salário e jornada como a proposta pela ZF, como forma de evitar mandar mais gente embora. Foi preciso que a própria empresa colocasse a proposta em votação, já que o sindicato não quis a opinião de quem realmente interessa ter o salário certo no fim do mês, mesmo que menor. O resultado não deixou dúvidas sobre o equívoco desse radicalismo.

E o que dizer agora dos servidores municipais. Tudo bem que a estabilidade no emprego dá uma certa folga para pressão. Mas está mais do que claro que a crise provocou um rombo considerável nos cofres públicos e que o facão nos gastos é inevitável. Não seria o momento de uma esperada ponderação das negociações para o aumento de salários? E o pior é que os nobre vereadores também estão incomodados. Não por solidariedade, mas porque estão na fila para pleitear aumento também.

Tá na hora de acordar do sonho de Alice e ver prejuízo desse furação.

O Fenômeno.



11/03/09


A volta por cima de um ídolo é sempre um acontecimento, merece atenção e guarda sempre boas lições. Depois de perder o emprego e ganhar peso, envolver-se em escândalos de toda sorte e cansar de ouvir na imprensa que sua carreira estava acabada, Ronaldo Fenômeno renasce das cinzas, reencontrando a arte que o consagrou e, principalmente, unindo o país inteiro em uma única e grande torcida: a sua.

Está aí mais uma prova de que nós, brasileiros, precisamos de ídolos. Exemplos, referências, pessoas a quem admirar por suas qualidades, seu carisma, sua inteligência ou o que seja. Sabemos reconhecer os esforços de quem faz por merecer o título de “ídolo”. Ronaldo Fenômeno é mais uma prova disso. Treinou, trabalhou, mostrou-se arrependido de seus erros, voltou à ativa e cá estamos nós, milhões de brasileiros torcendo por seu sucesso, aplaudindo a sua arte. Independentemente do time para o qual torcemos.

Agora, a boa e velha pergunta: por que será que, mais uma vez, nosso único ídolo vem do esporte? Será que a mesma generosidade que nos deu Pelé, Ayrton Senna e tantos outros não vai mesmo se repetir na política, por exemplo?

E olhe que ninguém está pedindo muito! Não precisa instalar ponto eletrônico para controlar as horas extras em Brasília. Gestos diários de honestidade, justiça, ética, trabalho, inteligência e legítima dedicação ao País já seriam suficientes para fazer nascer um ídolo político.

Mas aí é esperar de Sarney e companhia um outro fenômeno. E, por enquanto, fenômeno é privilégio do timão, eô!

É trote!


12/02/09

O antiquado trote violento aos calouros universitários acaba de fazer novas vítimas. Esta semana, uma jovem grávida foi queimada com uma mistura de gasolina e creolina em mais uma manifestação de crueldade dos “veteranos”.

Não é de hoje que as universidades tentam coibir esse tipo de coisa, mas todos os anos surgem novos infelizes, esfolados vivos em um momento que devia ser só de alegria.

É no mínimo temeroso um ensino superior em que se aceite um hábito tão inferior e tacanho. E não venham com o velho papinho de que o trote é uma tradição e com isso não se mexe. Há inúmeras maneiras de manter o rito de passagem sem a violência. Estão aí os trotes solidários, por exemplo, em que os calouros doam sangue, alimentos, remédios e outras coisas a quem precisa. Isso sim é atitude digna de cidadãos de nível superior.

Agora, sempre tem um espírito de porco, travestido de universitário, pronto para subjugar os novatos em rituais de perversão e burrice. Não há outra forma de acabar com isso senão proibindo, como fez a Prefeitura de Sorocaba ao acabar com os pedágios, aqueles em que os calouros pedem dinheiro nos faróis para pagar a cervejinha dos mais velhos.

Trote violento é como qualquer tipo de imposição radical: inadmissível. O mesmo que motivou esta semana a agressão a uma brasileira, grávida de gêmeos, por xenófobos na Suíça. Depois de ser espancada e de ter as siglas de um partido radical tatuado no corpo com canivete, ela perdeu os bebês.

Triste e radical. Como o trote que neste exato momento algum aluno deve estar sofrendo.

Toque de recolher

19/02/09

A entrevista do Secretário da Segurança Comunitária, Coronel Domingos de Abreu, no BOM DIA de terça-feira deu tanto prazer quanto uma cerveja morna. Porque de declarações infundadas e projetos amparados no achismo, o Presidente Lula já dá conta muito bem sozinho.

Longe de mim duvidar das boas intenções do Coronel Abreu. Mas defender a limitação do horário de funcionamento dos bares até as 23 horas não faz o menor sentido! Mais uma vez, o prejudicado será o cidadão de bem, que arca com uma das maiores cargas tributarias do mundo para ter segurança, saúde, educação e só ganha mais uma restrição a seu direito de ir e vir – nesse caso, de ir ao bar de que gosta, tomar uns drinques e vir de táxi (claro) no horário que quiser.

A equação do “se não há segurança nas ruas, tirem o povo das ruas” funciona em certos contextos, como foi em Diadema, citada pelo Secretário na entrevista. Agora, daí a lançar mão de uma medida como essa sem levantamento prévio das regiões em que a violência está ligada à existência de bares, sem cogitar outras ações óbvias como mais policiais nas ruas, vai uma boa distância.

Com ideias como esta, o secretario deixa de fazer segurança pública e passa a promover a segurança privada, impondo que cada cidadão se recolha mais cedo à relativa proteção de suas propriedades particulares. E quem não gostou que tome um porre. Mas só até as onze.

Taí mais um disparate do único país do mundo em que, segundo a leitora Beth, um semianalfabeto assina uma revisão ortográfica e um alcoólatra institui uma lei seca.

Quem cala consente.

Na primeira sexta-feira do mês, escrevi aqui sobre a capacidade do PMDB de renascer das cinzas e se manter, de uma forma ou de outra, no poder. Agora, na última sexta-feira do mês, depois da explosiva entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, acusando a maioria de seu partido de corrupta, reitero: oh partidinho rápido, sô!

Em um só mês, a legenda que já se configurava como certa na chapa do próximo presidente da República, que de uma só vez havia eleito os presidentes da Câmara e do Congresso, mergulhou em uma crise interna de expressão nacional.

Grande parte do poder da entrevista de Vasconcelos veio da própria reação do partido. Ao descaracterizar as declarações de uma de suas grandes figuras como um “desabafo” sem fundamento e nem ensaiar uma defesa, o PMDB calou e consentiu, apostando certamente no poder que tem o Carnaval de fazer o povo esquecer.

Segundo o senador, a maior parte de seus colegas de partido quer é manipular licitações, fazer contratações dirigidas e corrupção em geral. Para engrossar o angu, outro cânone peemedebista, o senador Pedro Simon, completou: “o PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais... fez de tudo para agradar Fernando Henrique e conseguir carguinhos. Agora faz o mesmo com Lula”.

O pior é que, diante de tão sérias acusações, os acusados não se defendem. Mas se calam. Esperando na sombra das cinzas a nossa famosa memória curta fazer sua parte, para daqui a pouco renascerem de novo. Sem que ninguém fale nada. E tem gente achando que o Carnaval ainda acaba na terça.

O retorno da Fênix

05/02/09

O retorno da Fênix

Já escrevi aqui que a corrida presidencial no Brasil começou este ano. Dito e feito. As eleições desta semana para o comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal comprovaram as minhas suspeitas. E quem, ao lado do PT de dona Dilma, já dá as “novas caras” no páreo? Ele, o bom e velho PMDB.

É no mínimo curioso que uma das legendas mais antigas da política brasileira, dos saudosos Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, chegue aos 45 anos renascendo das cinzas mais uma vez, após incontáveis episódios de ascensão e queda.

Ao que tudo indica, vem aí o primeiro candidato de peso do partido para a Presidência da República desde Ulysses – propositalmente não conto Itamar Franco, tamanho o fiasco da candidatura do topete.

Desde sua fundação em 1964, ano do golpe militar, o MDB se destacou por uma efetiva oposição à ditadura, conquistando grande poder político e elegendo até o primeiro presidente civil depois dos milicos, em 1985. De lá para cá, notabilizou-se por nunca mais ter exercido a oposição. Em todos os governos constituídos desde o restabelecimento da democracia, o partido de Sarney sempre foi da situação.

E por falar em situação, não é por acaso que o grande articulador para a escalada de Sarney e Temer às presidências de suas casas tenha sido o esfomeado Renan Calheiros, restabelecido ao seio do Senado.

É, o PMDB não é mais o mesmo de antes, mas aos poucos retoma a força de antigamente, com uma fome de poder que não se importa de comer pelas beiradas. Mas que nunca tira os olhos do meio do mingau.

YES, WE HAVE.


22/01/09


Esta semana, o mundo presenciou uma das maiores manifestações populares dos últimos tempos: a posse de Barack. Como sempre, os Estados Unidos e o povo norte-americano foram insuperáveis em seu barato de fabricar ídolos.

Obama é mais um dos tantos ídolos produzidos na Terra de Tio Sam. Sua ascensão meteórica comprova o poderio da América do Norte para concentrar a resolução de seus problemas na criação de personalidades políticas e sua medidas. De um jeito ou de outro, isso funciona.
O poder de mobilizar as massas, os mercados e as instituições exercido por Barack Obama terá certamente um peso definitivo na resolução da crise em que os governos anteriores mergulharam os Estados Unidos. Mas tudo está baseado no carisma e no poder de um ídolo legitimado pelo povo, se bem que lá a eleição não é feita para o povão, como acontece por aqui.

Aliás, no Brasil os únicos heróis vêm do esporte, e olha que o último foi o Senna. Político mesmo, nenhum. Por isso, já que nosso novo ídolo ainda não nasceu, é hora de aprender com o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Só que aqui, adaptado à nossa realidade, o slogan “YES, WE CAN” seria pouco.

Primeiro, viria o “YES, WE CAN’T” continuar do jeito que está. Depois, o “YES, WE SHOULD”, devemos acabar com a corrupção. Em seguida, “YES, WE HAVE”, temos que promover as reformas política e fiscal. Porque “YES, WE NEED”, precisamos de mais emprego, mais saúde, mais educação, mais segurança e por aí vai.

Ou então, o único slogan que continuará a nos definir será o velho “YES, WE HAVE BANANAS”.

A última arte

29/01/09


Os cineastas brasileiros vivem reclamando: “no Brasil não há espaço para cinema”, referindo-se a falta de investimento e ao pouco interesse do grande público. Mal sabem eles que aqui na cidade o problema é mais embaixo: não há sequer espaço para VER cinema.

Qual foi o último filme brasileiro que você viu num cinema local? Pra ajudar na resposta, aí vai um dado: dos 60 filmes nacionais lançados em 2008, se dois deles passaram em Sorocaba nós já estaremos no lucro.

Infelizmente, as pouquíssimas salas de cinema que existem (e resistem) na cidade são ruins. Som péssimo, imagem sofrível, poltronas duras e o pior: programação pobre. Não passa um milésimo das boas produções em cartaz nos centros próximos como Campinas e São Paulo.

Só pra dar uma idéia, no próximo dia 22 de fevereiro 32 filmes vão concorrer ao Oscar em categorias como longa e curta metragens, língua estrangeira, animação e documentário. De todos eles, só dois estão passando em Sorocaba: “Benjamin Button” e “Madagascar 2”, blockbusters de bilheteria fácil. Enquanto isso, os cinemas europeu, coreano, indiano, israelense e tantos outros passam longe de nós. E não vale dizer que não temos público para isso. Mentira. Há uma multidão de gente ansiosa por um biscoito mais fino.

Em Sorocaba, a “sétima arte” tem tratamento de sétimo mundo. Passou da hora disso mudar, ou estaremos mais uma vez à margem do que há de melhor na cultura e nas artes.

P.S.: Não deixe de assistir a outro indicado ao Oscar, o excelente “Quem quer ser um milionário”. Isto é, se passar nos cinemas daqui.

A fisiologia do terror

09/01/09

A fisiologia do terror

A guerra entre judeus e árabes é o tipo de assunto que não costumo tratar aqui. Mas recebi um e-mail do amigo Pedro Matar que merece reflexão. O texto apresenta dados históricos desde a criação do Estado de Israel em 1948 pela ONU, em território palestino, para compensar a perseguição dos judeus pelos nazistas na segunda guerra.

Acontece que, em vez de criar o novo Estado na Alemanha, onde teve início a perseguição ao povo israelita, a ONU criou Israel na Palestina, alegando razões históricas e expulsando os palestinos de sua própria terra.

Imagine que amanhã a ONU, por decreto, mande desocupar o Estado de Alagoas e, por razões históricas, obrigue os alagoanos a dar lugar aos antigos moradores da área, os índios. Não é difícil entender o sentimento de revolta dos alagoanos contra os índios e o resto do povo, que nada teria a ver com isso.

A verdade é que Israel penalizou os palestinos e é mantido por uma força militar desproporcional, sustentada por judeus de todo o mundo. Numa inversão de papel, lembra o pequeno Davi brigando com o gigante Golias. Só que agora o Davi é palestino e Golias, um Estado judeu, apoiado pelos norte-americanos na defesa do “povo escolhido”.

Israel massacra o Davi palestino, que além de reagir com atiradeiras – na comparação de armas – ainda é taxado de “terrorista”, porque não tem exército e usa o que tem à mão pra reagir e lutar por seus direitos.

Puro maniqueísmo político e econômico, definindo preconceituosamente quem é o terrorista da história. Boa, Pedro! Cabe a nós agora refletir sobre isso.

4.2.09

Imposto que ajuda

Reclamar do rombo causado no bolso do brasileiro pela exagerada carga de impostos virou lugar comum. Não há quem não se sinta, no mínimo, lesado por ter que destinar boa parte do seu suado dinheiro para os cofres do Governo.
Mas já que o estrago está feito e não dá para seguir pelo caminho da sonegação, então pelo menos dá para destinar uma parte desse dinheiro, que inevitavelmente será devorado pelo leão, para quem realmente utiliza em benefício da comunidade.
A doação de parte do imposto de renda devido ao Governo para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, infelizmente, é uma prática pouco comum ainda para os contribuintes. Por preguiça ou desinformação mesmo, a maioria deixa de fazer essa opção no momento da declaração.
Para se ter uma idéia, se todo o cidadão ou empresa de Sorocaba destinasse a sua parcela do imposto para os programas sociais, a soma chegaria a R$ 15 milhões. Mas, no ano passado, segundo dados da própria Receita, não passou de R$ 700 mil.
Então, para que ninguém possa alegar desconhecimento, aí vai a informação: pessoas físicas podem deduzir até 6% do imposto devido e empresas podem abater até 1%. Mas é preciso agir logo, já que o prazo para a doação termina agora no dia 31 de dezembro.
Algumas grandes empresas têm engajado na campanha para aumentar essa adesão. Vale citar a iniciativa da ZF do Brasil, que fará a doação de R$ 150 mil referente ao imposto de renda devido pela empresa ao Gpaci neste domingo. É um exemplo a ser seguido.

DEZ/2008

Quem dá mais

Sorocaba deu mais um importante passo nessa semana em direção ao acalantado projeto de criação Museu de Arte Contemporânea. O segundo leilão de arte, no Ipanema Clube, foi uma demonstração clara do empenho de artistas e apreciadores das obras em arregaçarem as mangas – e abrir as carteiras, é claro – para que o projeto saia do papel e invada as instalações da antiga Estação Ferroviária, que já tem espaço reservado para abrigar o Museu.

Esse encajamento foi confirmado pela presença de pelo menos 150 pessoas que disputaram com generosos lances quase 90 peças. Ao transitar pelo espaço, você desavidamente esbarrava com Cláudio Tozzi, Ivald Granato, Caciporé Torres, Neno Ramos, Luiz Paulo Bavareli, só para citar alguns dos artistas que fizeram questão de acompanhar suas obras ao leilão. O próprio leiloeiro, Roberto de Magalhães Gouvêa, demonstrou o seu espanto ao ver tantos artistas se fazerem presentes no evento.

Ponto para o turma da AECA, que é a associação que encabeça a luta pela criação do Museu há três anos. E olha que o movimento já conta com a adesão de figuras de destaque como o arquiteto Pedro Mendes da Rocha, que assumiu a elaboração do projeto, e do museólogo Fábio Magalhães.

Mais do que a instalação do espaço físico para a exposição das obras, esse pessoal tem como meta tirar a visão elitista que paira sobre a arte moderna. E mostrar que a apreciação dessas peças pode estar ao alcance de todos e não restrita às salas dos socialites. Afinal, a arte é do povo.

NOV/2008
Minha foto
SOROCABA, SP, Brazil