7.7.09


21/6/09

Cuba Libre

Caríssimos, depois de curtir minhas férias em Havana, nas próximas semanas tentarei registrar aqui minhas impressões sobre Cuba. Há anos tentava fazer essa viagem. Nutro uma grande paixão pela ilha, pelo rum e pelos “puros”.

Para nós, capitalistas, é difícil entender a última voz socialista do ocidente. Os cubanos são obrigados a abandonar seus sonhos de crescimento financeiro, e o não direito à propriedade é trágico. O governo é dono, proprietário, locador e coletor de tudo que há na ilha. E quase tudo é sucateado. Só se salvam os empreendimentos turísticos, leia-se hotéis, de cadeias europeias como o Meliá, e as atrações locais como Havana Vieja e o Malecom, agora patrimônios da humanidade, aos poucos restaurados e mantidos pela UNESCO e a comunidade européia.

Uma pessoa muito importante em Havana Vieja me disse uma dura verdade. “Cuba está falida, o sistema provou há muito que não funciona (...) o regime continua por puro orgulho, usando como desculpa um embargo que na verdade não existe.”

Repeti uma pergunta a todos os cubanos que conheci: se você pudesse, sairia de Cuba? Todos responderam que sim. E o pior: iriam para qualquer lugar.

Apesar de tudo isso, senti entre os hermanos uma dignidade implícita, revelada em gestos e palavras, mesmo quando discordam do sistema. A solução social é razoável, com as crianças nas escolas, saúde pública e faculdade de graça. Mas o preço é alto demais.

Em Cuba, existem dois países, duas economias totalmente diferentes: uma para os turistas, outra para o cubanos. Inevitavelmente, pensei no Brasil. Mas isso fica para o próximo artigo.

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