7.7.09

De quem é a crise?



18/6/2009


O discurso de José Sarney esta semana foi uma das maiores demonstrações de cinismo, dissimulação dos últimos tempos. Ao afirmar que “a crise do Senado é do Senado” e não dele, Sarney se eximiu sem o menor pudor da sua responsabilidade de presidente da casa e jogou para o alto, entre outras arbitrariedades, a contratação de dois de seus netos para cargos públicos sem concurso.

Infelizmente, o cinismo vai se tornando a cada dia mais corriqueiro em nossa classe política. Os brasileiros, por sua vez, vão ficando curtidos pela repetição de sacanagens e declarações surreais. A ponto de perder a capacidade de se chocar com os absurdos de Brasília.

Por falar em absurdo, o presidente Lula teve a coragem de dizer que Sarney não pode ser tratado como “qualquer um”, assumindo que há no Brasil uma elite acima do julgamento dos reles mortais pagadores de impostos.

Outro insulto contra a inteligência é o raciocínio comum segundo o qual, descoberto um desvio de verba pública, basta devolver aos cofres públicos o dinheiro desviado. Não basta, não. O mínimo que se espera é a identificação dos culpados e a sua exposição ao julgamento nas urnas. Mas o cinismo político é maior.

De tão cínico, Sarney nem sequer se “avexou” de pedir sugestões aos senadores em seu discurso e depois não acatar nenhuma das dezenas que recebeu de seus colegas. A coisa mais verdadeira desse episódio foi a declaração irônica de um senador do próprio PMDB. Segundo ele, ao pedir uma mãozinha, Sarney não esperava receber uma “avalanche de sugestões”. Tantas que, coitado, o gabinete de Sarney entrou em crise.

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