
12/02/09
O antiquado trote violento aos calouros universitários acaba de fazer novas vítimas. Esta semana, uma jovem grávida foi queimada com uma mistura de gasolina e creolina em mais uma manifestação de crueldade dos “veteranos”.
Não é de hoje que as universidades tentam coibir esse tipo de coisa, mas todos os anos surgem novos infelizes, esfolados vivos em um momento que devia ser só de alegria.
É no mínimo temeroso um ensino superior em que se aceite um hábito tão inferior e tacanho. E não venham com o velho papinho de que o trote é uma tradição e com isso não se mexe. Há inúmeras maneiras de manter o rito de passagem sem a violência. Estão aí os trotes solidários, por exemplo, em que os calouros doam sangue, alimentos, remédios e outras coisas a quem precisa. Isso sim é atitude digna de cidadãos de nível superior.
Agora, sempre tem um espírito de porco, travestido de universitário, pronto para subjugar os novatos em rituais de perversão e burrice. Não há outra forma de acabar com isso senão proibindo, como fez a Prefeitura de Sorocaba ao acabar com os pedágios, aqueles em que os calouros pedem dinheiro nos faróis para pagar a cervejinha dos mais velhos.
Trote violento é como qualquer tipo de imposição radical: inadmissível. O mesmo que motivou esta semana a agressão a uma brasileira, grávida de gêmeos, por xenófobos na Suíça. Depois de ser espancada e de ter as siglas de um partido radical tatuado no corpo com canivete, ela perdeu os bebês.
Triste e radical. Como o trote que neste exato momento algum aluno deve estar sofrendo.

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