
28/6/09
Semana passada, adiantei aqui a minha impressão de que em Cuba existem dois países diferentes. Isso é tão óbvio quanto dizer que no Brasil quase todo político rouba.
Claramente, há a Cuba dos turistas, caríssima, e a Cuba dos cubanos, pobre e decadente. Na primeira, uma coca-cola (sim, eles se renderam ao símbolo americano) custa 3 dólares, o que equivale a mais de seis reais. Já na Cuba dos cubanos, onde tudo é subsidiado pelo governo, os moradores da ilha fazem uma refeição completa com feijão, arroz, bife, batata, salada, suco e sobremesa por menos de cinco centavos de dólar.
A economia cubana tem duas moedas: o peso cubano, ao qual o turista não tem acesso, e o peso conbertible (CUC) para os turistas, cotado a um valor 20% maior que o do dólar americano. O CUC é a chave de acesso dos cubanos ao paraíso dos hotéis, restaurantes e lojas que, em tese, são só para turistas. Isso faz com que os melhores empregos em Cuba sejam ligados ao turismo. Dá pra entender por que o sonho de quase todo cubano é ser camareira ou porteiro de hotel. Ali as gorjetas são pagas em CUC.
Pra você ter uma idéia, em Havana nos pedem tudo. Calça, camisa, barbeador descartável etc. Perguntei porque me pediam um barbeador usado e a resposta foi dura: “aqui isso custa 30 dólares.”
Apesar de tudo, o cubano dá uma lição em muita gente. É um povo extremamente simpático, alegre, irrequieto e animado. Havana é uma festa permanente e as cores, a música e o gingado fazem desaparecer todos os aspectos tristes.
Como dizem por lá, “al som de la isla se va la tristeza”...

Nenhum comentário:
Postar um comentário